imprensainvestigativa

15 de junho de 2011

Dinheiro sujo no esporte

Filed under: Esporte — imprensainvestigativa @ 20:21

(Por I. Leite e R. Camilo)


O crime está migrando para o esporte. Segundo uma reportagem que saiu no dia 1º de julho de 2009, no site da agência de notícias Reuters, o futebol está sendo cada vez mais utilizado pelos criminosos para lavagem de dinheiro e sonegação de impostos. Tudo isso só é possível graças a dificuldade financeira em que muitos clubes se encontram. O futebol está atraindo o olhar dos criminosos devido a transações milionárias de jogadores entre países. Mas o futebol não é único escolhido para a prática ilegal. A corrida de cavalos também está na tabela, junto com o rúgbi, críquete e automobilismo.


Confira abaixo uma entrevista com Leandro Carvalho Pinto, chefe e diretor da área de comunicação do Praia Clube São Francisco sobre o assunto. 


1. Leandro, você que acompanha o esporte há muito tempo, a corrupção é um mal dentro do esporte?

R: Depende de que tipo de corrupção se esteja falando. Esportivamente, acho muito difícil um atleta entregar o jogo. Administrativamente, seria um mal, mas provar a corrupção é mais difícil do que ver cabeça de bacalhau!


2. Leandro, você tem esperança de que a corrupção um dia acabe?

R: Sim, na sociedade como um todo. Mas, não acabará enquanto a própria sociedade não compreender que não pode dar esmola ao mendigo, ao guardador de carro, ao funcionário público para ter o documento mais rápido, ao cambista. O mal vem da própria sociedade, a mesma que clama pelo fim. Por isso o ciclo se renova sempre, os vícios ficam e os corruptos se mantêm.


3. Em 2007, com a realização do Panamericano, houve superfaturamento e desvio de recursos públicos nas obras? Com esses problemas, valeu a pena a realização do Panamericano?

R: Todo e qualquer evento esportivo de porte, de vulto internacional, é válido de ser feito. Custe o que custar, a relação custo x benefício sempre será maior para o cidadão. Londres 2012 está superfaturada, a Copa da Alemanha teve também seus problemas, a Copa da África relatou diversos casos piores do que este. O grande mal é que a nossa imprensa tem mania de veicular o que vende, e desgraça vende! Por que não falar do parque aquático Maria Lenk, do Engnhão, do ginásio na Barra, de quanto trouxe de fomento ao comércio local o turismo gerado pelos jogos ou quanto foi benéfica às nossas crianças – em tempo de guerra urbana, de drogas e favelas – a paz e a segurança que tivemos na cidade? Isso não tem preço! O esporte atua como moderador político em nosso país e em vários outros. E o dinheiro envolvido nisso cresce a cada dia mais. E entre a alienação do romantismo apaixonado do torcedor e a consciência crítica do jornalismo atual, prefiro um meio termo.


4. Então, o que você espera da copa do mundo de 2014 e das olimpíadas em 2016?

Um exemplo de como se faz esporte, de como se vive esporte e como se pratica esporte e cidadania em nosso país. Espero, sinceramente, muitos problemas até lá. Mas na competição tudo vai correr muito bem.


5. Com sua experiência em cobertura de beira de campo, você já testemunhou algo de estranho dentro do gramado? ‘Corrupção’?

Não sei por que tamanha recorrência em relação a corrupção. Nada vi de estranho, mas cansei de saber de jornalista que “vende” a matéria para clube e jogadores e o absurdo sequer é relatado. Quer jornalista mais vendilhão do que o Milton Neves? Ou mais merchandising maior do que o do Garotinho? Algum deles falaria mal de seus patrocinadores se estivessem envolvidos em escandalos? Não creio! Sabe por quê? Dependem dos mesmos. Tudo é um grande jogo de interesses e, se você não souber se manter à margem, se envolve! Talvez seja por isso que estou à margem da mídia esportiva atualmente!


6. Você, sendo vascaíno fanático, concordava com a administração de Eurico Miranda?

Depende. Administrativamente, não. Politicamente, não. Financeiramente, não. Mas, esportivamente, não há como negar que ele teve competência para montar e desmontar vários times vencedores como diretor de futebol. E o Vasco conquistava títulos. Na balança, prefiro o Dinamite, mas não acho que Eurico foi todo esse vilão que a “Flapress” vende!


7. Leandro, na sua opinião existe mesmo a máfia do apito ?

Existe um jogo de interesses… Fulano, amigo de ciclano, que escala beltrano. Favores e coisa e tal, mas grana viva não creio que role!


8. Na final da Taça Guanabara em 2008, Flamengo X Botafogo, você acha que o Flamengo foi favorecido?

Sim, por erros de arbitragem que qualquer ser humano comete. Não deliberadamente! Se assim for, passem em um blog e lá acharão mais respostas para tais casos.



9. No Brasileirão de 2005, com aquele escândalo de corrupção, o que aconteceu na verdade, na sua opinião?

Aconteceu que usaram o Edílson para cobaia, encobrindo o dinheiro que o Kia colocou na real para ver o Corinthians campeão. Ele era a peça menor da engrenagem e o único que pagou o pato! De Ricardo Teixeira a Conaf, nesse ano, não safo ninguém.


10. Hoje saiu uma manchete no Globo que cita o presidente da FIFA, Joseph Blatter, envolvido em um esquema de corrupção. Na sua opinião, a corrupção está em todos os lugares?

Sim, em todos os lugares. Principalmente onde as somas envolvidas são maiores. Isso administrativamente. Esportivamente, creio que o doping financeiro seja só positivo. Ou seja, paga para ganhar, a famosa “mala branca”. Nossa cultura mostra que o perdedor não é lembrado, detestamos perder até par ou ímpar. Na minha maneira de pensar, se perdemos, somos zoados. Profissionalmente, creio que o dinheiro circule muito maior nas UEFAS da vida e não em campo, mas sim para tal time jogar ou tal time disputar a Copa do Brasil, por exemplo (cabide de votos da CBF).


11. Na sua opinião, qual é o maior escândalo de corrupção da história dentro do esporte?

As papeletas amarelas, de 1986, quando o então presidente George Helal, do Flamengo, anotava em uma caderneta de folhas amarelas os valores de propinas pagas.


Links Externos:

Reportagem sobre lavagem de dinheiro no esporte
Blog de Leandro Carvalho Pinto

Fraude de carteiras de estudantes

Filed under: Cultura — imprensainvestigativa @ 19:39

(R. Morelli e Carolina)


É cada vez maior o número de jovens e adultos que buscam manter o benefício da meia-entrada em eventos culturais, como cinema, teatro, shows e exposições. Para isso, eles falsificam carteiras de estudante, forjando comprovantes de matrícula. É tão fácil falsificar uma carteirinha de estudante, que alguns lugares que a emitem não pedem sequer um comprovante de matrícula e é até mesmo possível conseguir uma carteirinha de estudante falsa através da internet, pelo orkut, por apenas R$ 5,00. 


É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem.

Esse é um problema que vem crescendo ao longo dos anos e que é considerado crime, pois acaba limitando o acesso de muita gente aos espetáculos culturais, trazendo prejuízos não só aos estudantes, que realmente têm direito ao benefício da meia-entrada, mas também aos não estudantes, produtores culturais e artistas que acabam não alcançando as metas pré-estabelecidas para os eventos.


O presidente da União Nacional dos Estudantes
(UNE), Augusto Chagas, acredita que a padronização das carteiras de estudantes poderá reduzir os casos de falsificação que limita a meia-entrada ao máximo de 40% do total de ingressos oferecidos ao público em salas de cinema, espetáculos de teatro e circo, museus, parques e eventos educativos, esportivos e de lazer. Chagas diz que a impressão do documento em papel moeda, por exemplo, garantiria maior controle no processo de concessão, contribuindo para assegurar o benefício a quem realmente tem direito. Ele lembra que atualmente não há um modelo único, o que aliado a falta de fiscalização, estimula e facilita as fraudes. Muitos são contra a proposta devido aos altos preços dos ingressos cobrados nos eventos para quem paga inteira. Mas vale lembrar que falsificar qualquer documento, inclusive a carteirinha de estudante é crime previsto no Código Penal. 


A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que investiga a emissão de Carteirinhas Estudantis Falsas, já tem uma linha direta gratuita para receber denúncias sobre fraudadores e locais onde são emitidas carteiras falsas. Por meio do número 0800 022 0008 qualquer pessoa pode denunciar fraudes, sem precisar se identificar. Além da linha gratuita, as denúncias também podem ser encaminhadas à CPI pelo site da Alerj
, basta clicar no link da comissão, no canto direito do site.    

Pirataria

Filed under: Cultura — imprensainvestigativa @ 19:36


(Por R. Morelli e Carolina)


O crime da pirataria é caracterizado pela distribuição, cópia ou venda de qualquer tipo de mercadoria sem que os envolvidos paguem os direitos autorais que abrangem a sua criação, imagem e outras características inerentes a ela, incluindo o próprio direito ao uso de suas funções. Há ainda outras razões para que a pirataria seja reprimida. Entre elas, o risco que implica à saúde e segurança dos consumidores. Já foram encontrados medicamentos, cosméticos e até peças de automóveis falsificados.


Dados da Polícia Internacional (Interpol) mostram que a pirataria se tornou o crime mais lucrativo do mundo. Movimenta US$ 522 bilhões por ano, mais do que o tráfico de drogas (US$ 360 bilhões/ano).


No Brasil, de cada dez CDs e DVDs vendidos, quatro são falsificados. Este número já foi maior antes da criação do CNCP: sete para cada 10 comercializados. O prejuízo para nação, por causa dos piratas, chega a R$ 30 bilhões por ano. E dois milhões de brasileiros deixam o mercado formal de trabalho.


O Ministério da Justiça entende que a luta contra a pirataria deve ser de todos, envolvendo o poder público – nas esferas municipal, estadual e federal – e a sociedade civil/empresarial, para a implementação tanto de ações voltadas à contenção da oferta de produtos piratas (ações repressivas), quanto às destinadas a diminuição da demanda (ações educativas e econômicas).


Diariamente, operações conjugadas entre polícias e aduanas brasileiras reforçam a fiscalização e reprimem o crime, principalmente, nas regiões de fronteira, principais portas de entrada da pirataria. Como resultados, estão os sucessivos registros de recordes em apreensões de mercadorias falsificadas, prisões e instauração de inquéritos na Justiça.


A Advogada Cláudia Pozo fala sobre esses assuntos na entrevista:

Como a pirataria afeta a economia do país?  
Cláudia Pozo: A indústria da pirataria está afetando todo o setor produtivo brasileiro, além de ameaçar seriamente os empregos em áreas estratégicas como a dos eletro-eletrônicos, mas também os têxteis, calçados, alimentos e até medicamentos. A competição desleal prejudica enormemente a indústria brasileira quando empresas copiam ou importam produtos subfaturados para vender a preços com os quais não é possível concorrer, consequentemente o governo deixa de arrecadar impostos que alavancam o crescimento do país.


Convivemos com a reprodução incontrolável de DVDs, CDs, remédios, calçados, roupas, produtos hospitalares e outros, causando com isso, sérios e irreparáveis prejuízos a cada ser humano no que diz respeito a propriedade imaterial e patentes. Vejamos por exemplo o caso dos remédios: neste contexto, temos um descontrole completo pelas autoridades no que diz respeito ao controle e combate de remédios falsificados que tornam os pacientes, vítimas de doenças sérias, levando à morte ou a danos de natureza grave. Todos sabem que descoberta de um medicamento falsificado, muitas vezes ocorre tarde demais. A pirataria em todo o mundo e principalmente em nosso país, afeta a economia trazendo inadimplência aos cofres públicos e um mercado informal que, por vezes se transforma em cartéis de máfia. Atraído pelo preço baixo, o consumidor torna-se o último elo do comércio ilegal que envolve sonegação fiscal, contrabando e desrespeito às Leis trabalhistas, comerciais, de direitos autorais e de propriedade. A pirataria é responsável por enormes prejuízos: faz com que o Brasil deixe de arrecadar mais de R$ 30 bilhões de impostos.   
  
  
Produtos originais importados ou não custam mais caro por causa da pirataria ou dos altos impostos cobrados pelo governo? 
 
  
Cláudia Pozo
– Cerca de 40% do valor final de um produto industrializado vai para o governo, enquanto nos Estados Unidos e China o percentual é de 20%. Até nossos vizinhos Argentinos pagam bem menos, cerca de 24%. Entender a carga tributária é um desafio! IPI, ICMS, Cofins, ISS, IOF, Cide. Em nenhum lugar do mundo as empresas quebram tanto a cabeça para se manterem dentro da legalidade fiscal, contratando profissionais de contabilidade que suam muito para encarar os percalços burocráticos e se manterem atualizados. Até eles não conseguem explicar aos clientes para onde vai o dinheiro de algo tão vago quanto o nome “contribuição social” sugere. Não bastassem tantos impostos, ainda encaramos o efeito cascata. Por exemplo, ICMS incide sobre Cofins e PIS. Todos estes custos são repassados para o consumidor final. Desta forma muitos brasileiros apelam para a indústria da pirataria, visto que os preços praticados estão mais próximos de sua realidade. Podemos concluir que o grande vilão é o governo que extrapola na cobrança de impostos.  
   
Acabar com a pirataria ajudaria em que na economia do Brasil?  

 
Cláudia Pozo – Certamente no crescimento do país e consequentemente na geração de novos empregos, melhorando o poder de compra da população, fazendo a roda da economia girar. Entre as medidas que devem ser adotadas pelo governo estão as campanhas de conscientização para o público, obrigar os fabricantes a cumprirem regras de propriedade intelectual, e maior fiscalização às empresas do país. E certamente, a revisão da cobrança de impostos praticada pelo governo, um dos principais fatos geradores da prática da pirataria.  A conclusão é que só a educação não é capaz de solucionar o problema da pirataria, mas que deve haver um esforço das empresas e do Governo em adequar os preços. “A falha na definição de preços e distribuição faz com que os investimentos em educação e fiscalização sejam discutíveis.” 

Escritório Central de Arrecadação e Distribuição

Filed under: Uncategorized — imprensainvestigativa @ 19:30


(Por R. Morelli e Carolina)


O Ecad é a instituição responsável pela arrecadação e distribuição dos direitos autorais de execução pública de músicas nacionais e estrangeiras utilizadas em todo o território nacional. O Ecad é administrado por 12 associações de música e foi criado pela lei 5.988/73, ratificado pela atual lei dos direitos autorais (9.610/98).    


No último mês, o Ecad foi acusado de pagar R$ 127,8 mil a Milton Coitinho dos Santos, que assinava a autoria de composições. Ele é motorista de ônibus, afirma não tocar “nem gaita” e nunca ter recebido a soma da entidade.      


Existem ainda outras denúncias de fraude, como a de 2004, em que R$ 1.140.198 de crédito retido (dinheiro que deveria ser distribuído igualmente entre todos os compositores) foi transformado em receita do escritório.      


Em nota, o Ecad diz que foi vítima de fraude e que os verdadeiros autores das trilhas não serão prejudicados. Além disso, diz que o fraudador está sendo processado criminalmente e que foi lançado um débito em seu nome no valor igual ao que ele recebeu.     


O Ecad diz que a Assembléia Geral, formada pelas associações musicais, que é a responsável pela fixação dos preços e regras de cobrança e distribuição dos valores arrecadados. Os titulares de direitos autorais são filiados a associações cadastradas, que por sua vez são responsáveis pelo controle e remessa ao Ecad das informações cadastrais de cada sócio e dos seus respectivos repertórios, a fim de alimentar seu banco de dados e possibilitar a distribuição dos valores arrecadados dos diversos usuários de músicas. Procurado pelo Imprensa Investigativa, o Ecad não quis se manifestar para maiores esclarecimentos.      


Deputados afirmam que há uma insatisfação geral da classe artística em relação ao ECAD. Instituição privada sem fins lucrativos, o escritório reúne nove associações de músicos e tem o papel de cobrar os pagamentos referentes aos direitos autorais e distribuí-los para autores, herdeiros, editores, produtores e intérpretes.     


Os deputados querem esclarecer como têm sido feitos os cadastros, qual é o destino dos valores retidos nos últimos anos e como será feita a fiscalização e a punição dos casos apontados pela imprensa. Os autores do requerimento também questionam a cobrança de direitos autorais de rádios comunitárias e educativas, que não têm fins lucrativos.  

Chatô: é você quem paga

Filed under: Cultura — imprensainvestigativa @ 19:26


(Por R. Morelli e Carolina)


Poucos países em todo o mundo se esforçaram tanto quanto o Brasil para ter uma cinematografia nacional. Nos últimos anos, o Governo Federal abriu mão de mais de 280 milhões de reais para a produção de filmes. Com essa mesma quantia de dinheiro, seria possível dobrar o número de bibliotecas públicas, que hoje são apenas quatro mil
.


Destinado a orquestras, manteria funcionando por dezoito anos seguidos três das melhores do país: a Sinfônica Brasileira, a Sinfônica do Estado de São Paulo e a Amazonas Filarmônica. Dirigido a museus, poderia erguer mais 186 deles. A referência, nesse caso, é o Museu Nacional do Mar, em Santa Catarina, que custou 1,5 milhões de reais, valor que inclui a compra e a restauração de um imóvel de 7.
000 metros quadrados e todo o acervo. Então nos fica a questão: Será que estamos gastando muito com pouco? Não poderíamos estar usando as verbas existentes para melhorar não só um tipo de representação cultural, mas sim várias?


Chatô, o Rei do Brasil é um filme brasileiro, com roteiro baseado na obra de Fernando Morais. O ator Marco Ricca foi escalado para interpretar o protagonista, Assis Chateaubriand, um magnata das comunicações no Brasil entre o final dos anos 1930 e início dos anos 1960. O filme não foi lançado nos cinemas e só pode ser encontrado em locadoras. Durante a produção, tudo foi deixado de lado e o material já feito foi engavetado, pois existia uma suspeita de que, na primeira tentativa de lançar-se como diretor, Guilherme Fontes estivesse se envolvido em um grande escândalo de mau uso de verbas governamentais destinadas ao cinema e à cultura, o que fez com que o filme fosse adiado.


O filme não havia sido concluído (segundo o próprio Guilherme Fontes, foi rodado um filme de uma hora e trinta minutos e cancelado faltando apenas quinze minutos para o término das filmagens), apesar de o produtor-diretor ter captado, desde 1996, recursos de leis de incentivo de cerca de 15 milhões de dólares, valor que, no Brasil, é suficiente para produzir dez filmes de longa-metragem de médio orçamento.


Em 22 de fevereiro de 2008, a Controladoria-Geral da União (CGU) determinou que o ator Guilherme Fontes e Yolanda Machado Medina Coeli, sócios proprietários da Firma Guilherme Fontes Filme Ltda, devolvam aos cofres públicos o valor de R$ 36,5 milhões. A auditoria da CGU concluiu pela irregularidade das contas. O processo foi instaurado pela Ancine do Ministério da Cultura. O ator e diretor foi condenado a três anos, um mês e seis dias de reclusão por sonegação fiscal pela juíza da 19ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, Denise Vaccari Machado Paes.


Fontes, no entanto, não foi preso. Por decisão judicial, a pena foi convertida em trabalho comunitário de sete horas semanais – pelo mesmo período -, além do pagamento de 12 cestas básicas de R$ 1 mil para instituições sociais no Rio de Janeiro.


A sentença é de 8 de março de 2010, mas só foi publicada no dia 8 de abril e veiculada pela
mídia em 27 de abril. No dia 19, o ator entrou com recurso questionando a decisão. Este recurso ainda não tem data marcada para ser julgado. A ação judicial refere-se ao ano de 1995, quando a empresa de Fontes – a Guilherme Fontes Filmes Ltda – iniciou a captação de recursos para a produção do longa-metragem “Chatô – O Rei do Brasil”, primeiro filme dirigido por ele.

A quarta semana do Imprensa Investigativa

Filed under: Editoriais — imprensainvestigativa @ 19:08

Entramos na quarta semana do Imprensa Investigativa com 11 novas matérias em nossas editorias. Nesta edição semanal, a editoria Casos Históricos traz um acontecimento que chocou o país: o caso Tim Lopes. O assassinato do jornalista por traficantes do Complexo do Alemão foi capa de todos os jornais do Brasil e causou comoção entre os jornalistas. Ainda tratando de acontecimentos que marcaram a história do jornalismo investigativo, esta semana trazemos a polêmica dos atletas que utilizam drogas para melhorar o desempenho nas competições, em Esportes, e a venda do banco Panamericano, uma das empresas do grupo Silvio Santos. Na editoria de Saúde, a problemática dos diabéticos que, sem condições de arcar com o caro tratamento da doença, precisam passar por dificuldades para conseguir seus direitos a medicação de baixo custo. Na seção de Cultura, flagrantes do descaso com a preservação de marcos culturais e esportivos de Niterói, como o Cine Icaraí e o Estádio Caio Martins.

A editoria de Celebridades traz o caso do travesti Andréia Albertini, que teve seus “15 minutos de fama” e veio a falecer de AIDS. César Tralli, conhecido por fazer grandes coberturas, é o assunto da semana na editoria de Jornalistas Brasileiros. A editoria de Grandes Obras já Publicadas traz a obra de Douglas Tavolaro: A CASA DO DELÍRIO: REPORTAGEM NO MANICÔMIO JUDICIÁRIO DE FRANCO DA ROCHA. O livro contribui para a reflexão do poder público e da sociedade civil. A editoria policial traz duas matérias essa semana. Uma sobre a morte da designer Amaly Olympia de Vasconcelos Tauil e a outra sobre o sofrimento dos moradores do Morro do Bumba depois da trajédia em março do ano passado, ambas em Niterói, Região Metropolitana do Rio. E para encerrar, a Casa Civil é a pauta da semana na editoria de Política.

Agradecemos pelo acesso,

Equipe Imprensa Investigativa

Pererecas em extinção dificultam o avanço das obras do Arco Metropolitano

Filed under: Economia — imprensainvestigativa @ 18:52

Até o momento, também foram encontrados 40 sítios arqueológicos que deixa mais difícil a continuação do projeto  

(Por R. Mello e J. Pontes) 


Quarenta sítios arqueológicos e um brejo com pererecas em extinção paralisaram as obras do Arco Metropolitano. O projeto, com o objetivo de ligar as cinco principais rodovias que cortam a Região Metropolitana do município do Rio de Janeiro, está a cada avanço encontrando novas dificuldades. As obras tiveram início em 2009, mas passaram a maior do tempo paradas.


Um brejo, aparentemente normal, é o habitat da perereca em extinção da espécie Physalaemus soaresi. Além de rara, ela só vive na Floresta Nacional Mário Xavier (Flonamax), em Seropédica, desde a sua identificação, em 1965. O IBAMA interveio e não autorizou que a rodovia passasse pelo Flonamax.

 

Por conta desses contratempos, a planta da obra foi modificada para que fossem construídos viadutos para preservar a fauna e flora local. O Arco Metropolitano visa fornecer um acesso rápido para o Porto de Itaguaí, ao Comperj, em Itaboraí, e também desafogar o trânsito na Ponte Rio Niterói, na via Dutra e na Avenida Brasil. Desde 1996, o projeto é discutido e só foi oficialmente lançado em 2008. 


O Arco Metropolitano vai gerar emprego, desenvolvimento econômico e social. Ao todo, foram mais de R$1 bilhão em investimentos, que atingem 21 municípios numa extensão total de 150 km. O Arco trará qualidade de vida com condições apropriadas de mobilidade para a população e uma redução de custos das empresas.

 

Inicialmente o prazo de entrega da obra era para 2010, mas, agora, caso não haja mais intervenções, a previsão é para o final de 2012. As Rodovias que serão interligadas são Rio-Vitória (BR-101 Norte), BR-493, Rio-Teresópolis (BR 116), Washington Luís (BR-040), Via Dutra (BR-116), BR 465, Rio-Santos (101 Sul). 

 

Assista a uma entrevista sobre o assunto com o economista Ivan Silva aqui.

Cinema Icaraí e Caio Martins: prédios de luxo ou centros culturais?

Filed under: Cultura — imprensainvestigativa @ 18:52


Por R. Morelli e Carolina)

Cinema Icaraí

 
Um dos mais tradicionais cinemas do Rio de Janeiro, o Cine Icaraí, localizado em Niterói, região metropolitana da cidade, corre o risco de ser demolido. No local, estaria sendo planejada a construção de um hotel, o que deixa a população com opiniões divididas, já que o lugar está fora de uso já faz algum tempo.

Um novo projeto poderá ser o primeiro passo para a reabertura do Cinema Icaraí. Um trabalho assinado pelo arquiteto João Uchoa (responsável pelos projetos do Cine Clube Macaé e da Cidade do Samba), em parceria com o empresário de Niterói Amílcar Carvalho, do ramo imobiliário. O projeto tem como principal idéia a construção de um hotel de luxo no local.

 

A fachada do Cinema Icaraí seria preservada e construiriam ali um hotel-butique, com 65 quartos e uma ampla garagem. Ainda não há licenciamento para a construção, mas os responsáveis pelo projeto já estão tentando resolver a questão. 


Fechado desde 2005, ou seja, há cerca de seis anos, o Cine Icaraí sofre com o abandono. As paredes externas e algumas internas se encontram pichadas e deterioradas. Mendigos e viciados em drogas podem ser vistos na escadaria externa do prédio, o que faz que alguns aceitem a reforma, pensando na melhoria da região e também na conservação do prédio.
 


Outro projeto, este idealizado pelo produtor cultural Oscar Motta, denominado “Movimento Cinema Icaraí”, o qual já mobilizou parte da população, prevê a restauração do prédio e a reabertura da sala de cinema. A iniciativa teve o apoio de empresários de Niterói e pode evitar que o prédio seja demolido.  

 
A idéia é que o prédio seja restaurado e revitalizado, construindo no local um mini-shopping cultural, com lojas de artesanatos e livrarias, e que a sala de Cinema seja reaberta ao público. Para que isso ocorra, é necessário que se faça uma ampliação.
 


Outro monumento cultural da cidade que chama a atenção da população é o Estádio Caio Martins, que está em sério risco de ser demolido para dar lugar a vários prédios residenciais de luxo. O estádio, que simbolizou durante décadas o futebol no Estado do Rio de Janeiro, corre simplesmente o risco de desaparecer, como se sua história de muitas partidas nunca tivesse existido. O complexo já foi palco de dois campeonatos mundiais de basquete, de uma das sub-sedes da Copa do Mundo de Futebol, de uma chave do Campeonato Mundial de Voleibol e do Sul Americano de Natação, além de inúmeras disputas nacionais de atletismo, vôlei, basquete e ginástica o complexo sempre foi um dos mais importantes centros de iniciação desportiva para as crianças e adolescentes, com aulas de natação, judô, basquete, futebol, vôlei, ginástica rítmica e olímpica e jazz.

O estádio Caio Martins

O cenário de abandono do Complexo Esportivo pode se tornar uma página virada em breve. É que o governo do Rio pretende transformar local – que já foi casa do Botafogo e está prestes a completar 70 anos – em uma arena multiuso, que serviria de apoio para a Olimpíada Rio-2016 e um centro de formação de atletas. 
 


O assunto foi debatido em uma audiência pública na Câmara Municipal de Niterói. A Secretária Estadual de Esporte, Márcia Lins, foi uma das presentes. Além dela, o Secretário da Casa Civil, Regis Fichtner, participou da discussão.  


Na ocasião, Márcia Lins afirmou que o governo só fará alguma intervenção caso haja o apoio da população do município.  


A proposta de obras para o local foi inicialmente apresentada em um encontro entre o governador Sérgio Cabral, o prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira, e outras autoridades. Cabral pretende divulgar um edital para que empresas enviem projetos de modernização.

 

Diabetes: Uma doença compulsória para a população e silenciosa para o Governo

Filed under: Saúde — imprensainvestigativa @ 17:38

Os diabéticos devem fazer verificações regulares do nível glicêmico no sangue.

(Por L. Farias e L. Borges) 


Os problemas que a sociedade enfrenta na Saúde Pública são inúmeros. A falta de medicamentos e o custo alto de alguns remédios são alguns deles, pois prejudicam o tratamento de muitas pessoas que não têm acesso ou condição de pagar por um tratamento particular.


No caso da Diabetes, uma doença que atinge pelo menos 14,670% da população brasileira com mais de 40 anos, segundo pesquisa realizada em março de 2011 pelo Ministério da Saúde, a situação é bem precária para os que não têm condições de arcar com o tratamento que chega a preços impraticáveis quando o nível glicêmico do paciente está alto.


Em Niterói, o fluxo da rede nas unidades públicas é intenso. As Unidades possuem poucos Clínicos Gerais, Pediatras e Ginecologistas. Mesmo assim, muitos médicos faltam e a demanda continua grande. Para marcar uma consulta, o paciente tem que ficar na fila e esperar mais de uma semana para ser atendido. É o caso da Senhora Jacinta Oliveira, portadora de diabetes e insulinadependente. Jacinta relata que teve que aguardar por uma vaga no Posto da Vital Brasil  mais de duas semanas. O paciente, quando chega na Unidade Básica com sintomas de um possível diagnóstico de diabetes, é atendido primeiramente por um Clínico Geral, que faz os exames. O Clínico  é a porta de entrada para o tratamento de diabetes. Depois o paciente é encaminhado para um endocrinologista.  Quando o nível glicêmico é alto e o paciente da unidade pública precisa de insulina e não tem condição de pagar por este medicamento,  que é caro, a situação se complica.


O processo para conseguir o tratamento não é fácil. É preciso procurar a Secretaria Municipal de Saúde para, através dela, conseguir os medicamentos com o Ministério daSaúde. O Governo é obrigado por lei a ceder gratuitamente os medicamentos aos pacientes com doenças crônicas como a diabetes. A prefeitura também é responsável pelas fitas de medição de glicemia. Masmuitas pessoas não conseguem usufruir desse direito e, quando conseguem, os remédios demoram para chegar. É o que confirma Luiz ferreira Couto, de 46 anos. Ele conseguiu os medicamentos em 2009 através da Prefeitura de Niterói, mas, algumas vezes, os remédios não chegaram no prazo estipulado.


Quando o medicamento demora para chegar, os postos de saúde começam a trabalhar com o que está disponível na Unidade. O paciente é encaminhado pelo médico para uma farmácia da unidade ou para uma Farmácia Popular, onde retirará o medicamento.


A insulina não é um medicamento disponível nas farmácias populares nem nos Postos de Saúde, então muitos portadores que são insulinodependentes e precisam de tratamento urgente esperam meses  para conseguí-lo através do Ministério da Saúde, mesmo já tendo acionado a Prefeitura.


Para que os remédios cheguem mais rápido, foi criado o HIPERDIA (Hipertensão e Diabetes) pela  Secretaria Municipal de Saúde de Niterói. Este programa existe  há apenas 8 meses e é uma parceria com o Ministério da Saúde. Antes deste programa, as pessoas que não tinham condição financeiras deveriam abrir um processo na Justiça para conseguir o tratamento gratuito para a diabetes.


O processo para participar do programa é simples. O portador da diabetes precisa apenas se cadastrar no HIPERDIA. Este projeto é baseado em quantos usuários são atendidos, levando em consideração o grau da diabetes, se é tipo 1, 2 ou se o paciente é atendido no Ambulatório  ou no Hospital.


Ana Letícia Mariano, assessora da Secretaria Municipal de Saúde de Niterói, afirma que o portador de diabetes que procura o HIPERDIA é cadastrado e todas as Unidades Públicas da cidade tem este programa, que conta também com grupos e palestras para a prevenção.


Um exemplo da dificuldade encontrada pelos diabéticos em busca do tratamento é Vânia Lamônica Pereira. Vânia é professora, tem
40 anos e descobriu a diabetes tipo 2 aos 35. Ela é insulinodependente e teve dificuldade para obter o medicamento. Ela teve que acionar a prefeitura de Bom Jesus, interior do Estado, onde vive, para receber de graça a insulina que falta na cidade. Como a prefeitura de Bom Jesus não pôde fazer nada, ela recorreu à justiça. Ao ganhar a causa, Vânia recebeu apoio da Secretaria Municipal de Saúde da cidade para vir à Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro uma vez por mês para receber a insulina. Se não tivesse conseguido o apoio, teria que desembolsar 870 reais por mês. Vânia conseguiu a causa e hoje, todo o mês, vem ao Rio de Janeiro com outros portadores da diabetes em uma van da Secretaria de Municipal de Saúde da Prefeitura de Bom Jesus para ter acesso ao tratamento.


“Cansativo? Para mim é, sem dúvida. Mas esta é a única forma para que eu e outras pessoas que não têm condições possam se tratar”, disse Vânia


Segundo as estatísticas,  o número de casos de diabetes tem aumentado constantemente e a doença chega a ser considerada uma pandemia no mundo inteiro. A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro considera a diabetes como uma doença de notificação compulsória, ou seja, as unidades não informam o total de pessoas em tratamento, não havendo uma estatística estadual.


Segundo o Ministério da Saúde, nos próximos 25 anos o número de diabéticos pode dobrar em todo o mundo. Serão 300 milhões de
pacientes.


Assista a dois depoimentos sobre o assunto:

Morro do Bumba: uma sucessão de erros

Filed under: Polícia — imprensainvestigativa @ 6:50

(Por Francine D. e Roseane A.)

O desespero de quem perdeu tudo na tragédia

A tragédia no Morro do Bumba, em abril do ano passado, na cidade de Niterói, não pode ser atribuída apenas a gestão de Jorge Roberto Silveira. Outros gestores públicos estiveram envolvidos nessa trágica história.

No período de 1970 a 1986, a área era depósito de lixo e dejetos do município. O lixão chegou em sua capacidade máxima no final do governo de Moreira Franco. Sem opção, a prefeitura propôs investir R$ 600 mil no aterro de Engenho Pequeno, em São Gonçalo, cidade vizinha. O investimento foi recusado e Niterói teve que transportar seu lixo para o lixão de Gramacho, em Duque de Caxias.

Foi na década de 90 que, já desativado para o depósito de lixo, o local começou a ser ocupado de maneira irregular. Em vez de reprimir, o poder público incentivou a prática, fazendo grandes obras de saneamento, disponibilizando caixas d´água, estabelecendo a rede elétrica, erguendo uma creche e uma escola, e uma quadra de esportes.

Em função de uma série de pequenos deslizamentos, em 2002, a Universidade Federal Fluminense (UFF) emitiu um laudo informando a situação do morro. O prefeito recém assumido, Godofredo Pinto, encomendou a UFF um estudo mais detalhado sobre as condições estruturais da área. A análise foi entregue em 2004 e apontava a presença de gás metano e a instabilidade do solo.

O gestor no cargo não tocou o projeto e seus sucessores também não o fizeram. Tudo ficou apenas no papel. As obras foram orçadas em R$ 19 milhões e, segundo a secretária estadual do Ambiente – na época, Marilene Ramos -, a tragédia poderia ter sido evitada

“Alguém não avaliou bem a situação. Era uma área de lixão que não poderia ser habitada. Não sei se a prefeitura tem o histórico desta ocupação”, argumentou ela.

Hoje, depois de um ano e dois meses da fatalidade, contabiliza-se mais de 200 mortos e 800 famílias desabrigadas vivendo do aluguel social pago pela Prefeitura e da solidariedade de familiares. Mesmo correndo riscos com novos deslizamentos, algumas pessoas insistem em retornar às suas antigas casas. As vítimas ainda tentam entender o que aconteceu no local. Já a sociedade aguarda que a ‘justiça’ seja feita contra os verdadeiros culpados.

Acompanhe também os depoimentos, na íntegra, das pessoas que viveram a tragédia no Morro do Bumba, em abril de 2010: http://noticias.uol.com.br/ultnot/multi/2010/04/13/04021B3862E4990346.jhtm.

Veja imagens da tragédia.

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