imprensainvestigativa

15 de junho de 2011

Chatô: é você quem paga

Filed under: Cultura — imprensainvestigativa @ 19:26


(Por R. Morelli e Carolina)


Poucos países em todo o mundo se esforçaram tanto quanto o Brasil para ter uma cinematografia nacional. Nos últimos anos, o Governo Federal abriu mão de mais de 280 milhões de reais para a produção de filmes. Com essa mesma quantia de dinheiro, seria possível dobrar o número de bibliotecas públicas, que hoje são apenas quatro mil
.


Destinado a orquestras, manteria funcionando por dezoito anos seguidos três das melhores do país: a Sinfônica Brasileira, a Sinfônica do Estado de São Paulo e a Amazonas Filarmônica. Dirigido a museus, poderia erguer mais 186 deles. A referência, nesse caso, é o Museu Nacional do Mar, em Santa Catarina, que custou 1,5 milhões de reais, valor que inclui a compra e a restauração de um imóvel de 7.
000 metros quadrados e todo o acervo. Então nos fica a questão: Será que estamos gastando muito com pouco? Não poderíamos estar usando as verbas existentes para melhorar não só um tipo de representação cultural, mas sim várias?


Chatô, o Rei do Brasil é um filme brasileiro, com roteiro baseado na obra de Fernando Morais. O ator Marco Ricca foi escalado para interpretar o protagonista, Assis Chateaubriand, um magnata das comunicações no Brasil entre o final dos anos 1930 e início dos anos 1960. O filme não foi lançado nos cinemas e só pode ser encontrado em locadoras. Durante a produção, tudo foi deixado de lado e o material já feito foi engavetado, pois existia uma suspeita de que, na primeira tentativa de lançar-se como diretor, Guilherme Fontes estivesse se envolvido em um grande escândalo de mau uso de verbas governamentais destinadas ao cinema e à cultura, o que fez com que o filme fosse adiado.


O filme não havia sido concluído (segundo o próprio Guilherme Fontes, foi rodado um filme de uma hora e trinta minutos e cancelado faltando apenas quinze minutos para o término das filmagens), apesar de o produtor-diretor ter captado, desde 1996, recursos de leis de incentivo de cerca de 15 milhões de dólares, valor que, no Brasil, é suficiente para produzir dez filmes de longa-metragem de médio orçamento.


Em 22 de fevereiro de 2008, a Controladoria-Geral da União (CGU) determinou que o ator Guilherme Fontes e Yolanda Machado Medina Coeli, sócios proprietários da Firma Guilherme Fontes Filme Ltda, devolvam aos cofres públicos o valor de R$ 36,5 milhões. A auditoria da CGU concluiu pela irregularidade das contas. O processo foi instaurado pela Ancine do Ministério da Cultura. O ator e diretor foi condenado a três anos, um mês e seis dias de reclusão por sonegação fiscal pela juíza da 19ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, Denise Vaccari Machado Paes.


Fontes, no entanto, não foi preso. Por decisão judicial, a pena foi convertida em trabalho comunitário de sete horas semanais – pelo mesmo período -, além do pagamento de 12 cestas básicas de R$ 1 mil para instituições sociais no Rio de Janeiro.


A sentença é de 8 de março de 2010, mas só foi publicada no dia 8 de abril e veiculada pela
mídia em 27 de abril. No dia 19, o ator entrou com recurso questionando a decisão. Este recurso ainda não tem data marcada para ser julgado. A ação judicial refere-se ao ano de 1995, quando a empresa de Fontes – a Guilherme Fontes Filmes Ltda – iniciou a captação de recursos para a produção do longa-metragem “Chatô – O Rei do Brasil”, primeiro filme dirigido por ele.

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