imprensainvestigativa

15 de junho de 2011

Morro do Bumba: uma sucessão de erros

Filed under: Polícia — imprensainvestigativa @ 6:50

(Por Francine D. e Roseane A.)

O desespero de quem perdeu tudo na tragédia

A tragédia no Morro do Bumba, em abril do ano passado, na cidade de Niterói, não pode ser atribuída apenas a gestão de Jorge Roberto Silveira. Outros gestores públicos estiveram envolvidos nessa trágica história.

No período de 1970 a 1986, a área era depósito de lixo e dejetos do município. O lixão chegou em sua capacidade máxima no final do governo de Moreira Franco. Sem opção, a prefeitura propôs investir R$ 600 mil no aterro de Engenho Pequeno, em São Gonçalo, cidade vizinha. O investimento foi recusado e Niterói teve que transportar seu lixo para o lixão de Gramacho, em Duque de Caxias.

Foi na década de 90 que, já desativado para o depósito de lixo, o local começou a ser ocupado de maneira irregular. Em vez de reprimir, o poder público incentivou a prática, fazendo grandes obras de saneamento, disponibilizando caixas d´água, estabelecendo a rede elétrica, erguendo uma creche e uma escola, e uma quadra de esportes.

Em função de uma série de pequenos deslizamentos, em 2002, a Universidade Federal Fluminense (UFF) emitiu um laudo informando a situação do morro. O prefeito recém assumido, Godofredo Pinto, encomendou a UFF um estudo mais detalhado sobre as condições estruturais da área. A análise foi entregue em 2004 e apontava a presença de gás metano e a instabilidade do solo.

O gestor no cargo não tocou o projeto e seus sucessores também não o fizeram. Tudo ficou apenas no papel. As obras foram orçadas em R$ 19 milhões e, segundo a secretária estadual do Ambiente – na época, Marilene Ramos -, a tragédia poderia ter sido evitada

“Alguém não avaliou bem a situação. Era uma área de lixão que não poderia ser habitada. Não sei se a prefeitura tem o histórico desta ocupação”, argumentou ela.

Hoje, depois de um ano e dois meses da fatalidade, contabiliza-se mais de 200 mortos e 800 famílias desabrigadas vivendo do aluguel social pago pela Prefeitura e da solidariedade de familiares. Mesmo correndo riscos com novos deslizamentos, algumas pessoas insistem em retornar às suas antigas casas. As vítimas ainda tentam entender o que aconteceu no local. Já a sociedade aguarda que a ‘justiça’ seja feita contra os verdadeiros culpados.

Acompanhe também os depoimentos, na íntegra, das pessoas que viveram a tragédia no Morro do Bumba, em abril de 2010: http://noticias.uol.com.br/ultnot/multi/2010/04/13/04021B3862E4990346.jhtm.

Veja imagens da tragédia.

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