imprensainvestigativa

13 de junho de 2011

Caso Tim Lopes

Filed under: Casos Históricos — imprensainvestigativa @ 12:16

Tim Lopes foi morto enquanto fazia uma reportagem investigativa na Favela Cruzeiro. (Fonte: Agência Brasil)

(Por Jane B e Julia M.)


Esta semana, para finalizar a nossa editoria de Casos Históricos, trazemos a reportagem de um dos grandes jornalistas investigativos brasileiros, Tim Lopes. Tim trabalhava na Rede Globo e fazia muitas matérias investigativas. Em 2001, ele recebeu o Prêmio Esso pela sua reportagem “Feira de Drogas” no Morro do Alemão.


Com uma microcâmera escondida, Tim Lopes filmou a venda de drogas pelas ruas do Morro do Alemão em agosto de 2001. Depois que sua reportagem foi ao ar, traficantes foram presos e o negócio foi interrompido por um tempo.


Em meados do ano de 2002, Lopes terminava mais uma investigação em sua carreira. Ele seguia denúncias de exploração sexual de jovens e consumo de drogas em bailes funk na favela da Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão. Os moradores pediam ajuda e Tim ia mais uma vez investigar. Ele só não contava que seria reconhecido pelos traficantes do local pela matéria exibida previamente sobre a feira de drogas ao ar livre.

O jornalista foi capturado e levado para outra favela do complexo, a favela da Grota, onde se encontrava o chefe da quadrilha, Elias Maluco. Especula-se que tenha havido um tipo de “julgamento” por parte dos traficantes para decidir o destino de Tim Lopes, que acabou sendo assassinado depois de torturado.


Sua morte causou comoção por parte dos jornalistas, que puderam vislumbrar como a profissão é perigosa e a população pôde ver como os traficantes têm poder dentro dos morros e fazem o que bem entendem.


Muitas foram as reportagens que seguiram a morte deste jornalista e até hoje ele é lembrado e tem um prêmio com seu nome, o Prêmio Tim Lopes de Jornalismo Investigativo, que todo ano dá reconhecimento às melhores matérias do jornalismo investigativo.


Confira o que os estudantes de Jornalismo da Universidade Estácio de Sá falam sobre Tim Lopes:


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10 de junho de 2011

Ambulâncias Superfaturadas

Filed under: Casos Históricos — imprensainvestigativa @ 23:11


(Por Jane B. e Julia M.)


Também conhecido como Máfia das Ambulâncias, o esquema foi descoberto em maio de 2006, por meio de uma operação da Polícia Federal. A Operação Sanguessuga deflagrou a quadrilha que desviava dinheiro da Saúde para a compra de ambulâncias desde 2001. De acordo com a Polícia Federal, a quadrilha negociava com assessores de parlamentares a liberação de emendas. Com recursos garantidos, o grupo manipulava a licitação e fraudava a concorrência, valendo-se de empresas de fachada. Dessa maneira, os preços da licitação eram superfaturados e o lucro era distribuído entre os participantes do esquema. Dezenas de deputados foram acusados.  


A máfia, que teve origem na gestão do então ministro José Serra, negociou mais de mil ambulâncias em todo o país, fazendo com que o montante do roubo alcançasse 110 milhões de reais. A Polícia Federal prendeu assessores de deputados, a ex-assessora do Ministério da Saúde e os ex-deputados Ronivon Santiago e Carlos Rodrigues, que eram funcionários da empresa acusada de montar todo o esquema de superfaturamento e pagamento de propinas, a Planam.  


No fim de junho de 2006, foi criada a CPI dos Sanguessugas, composta por 17 deputados e 17 senadores. Nos primeiros depoimentos tomados pela CPI no início de julho, surgiram indícios de que os criminosos também agiam no Ministério da Educação, influenciando a compra de transporte escolar para prefeituras financiada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, e no Ministério de Ciência e Tecnologia, com as verbas destinadas à inclusão digital.
 

Alguns envolvidos foram condenados e tiveram suas penas de restrição de liberdade substituídas por prestação de serviços. Com a demora nos processos podem voltar a se candidatar para exercer um cargo político.


Veja mais:

Como funcionava o esquema.

Entenda o caso.

Esta semana, a professora universitária Élida Vaz nos fala um pouco da importância do jornalismo investigativo. Confira aqui.

Mais de mil ambulâncias foram compradas no esquema (Crédito: AE)


Watergate

Filed under: Casos Históricos — imprensainvestigativa @ 23:06


(Por Jane B. e Julia M.)


Nesta primeira matéria, falaremos do caso Watergate, que aconteceu nos Estados Unidos da América.


O que começou como um caso de roubo – em junho de 1972, cinco homens foram presos tentando instalar equipamentos de escutas telefônicas no prédio do partido da oposição ao governo americano –, acabou levando à queda do presidente Richard Nixon e, também, à revelação de uma trama política de espionagem, sabotagem e suborno.  

O caso, que passou a ser conhecido como Watergate, foi fruto da investigação de dois jovens jornalistas do Washington Post, Bob Woodward e Carl Bernstein. Eles começaram a investigar e logo fizeram ligações entre o arrombamento no complexo Watergate e a Casa Branca. O informante, Garganta Profunda, passou décadas no anonimato antes de ter finalmente sua identidade revelada em 2005 por um artigo na revista Vanity Fair. Ele era o segundo comandante do FBI (Federal Bureau of Investigation – Oficina Federal de Investigação), na época, Mark Felt.  


As acusações feitas pelo Washington Post provocaram a investigação do caso na Justiça, em 1973. Os cinco homens pegos na invasão foram condenados e grande parte do comitê de Nixon foi acusada de conspiração e, mais tarde, também condenada. O próprio conselheiro do presidente revelou que Nixon estava associado ao arrombamento de Watergate. Logo depois, fitas de áudio foram entregues ao senado com conversas, feitas no gabinete presidencial na Casa Branca, em 1971, que deixavam claro que Richard Nixon estava ciente da proposta de espionagem à oposição. Diante da falta de apoio do congresso, o chefe de governo norte-americano acabou renunciando ao cargo, em 1974.  


O professor do curso de Jornalismo da Universidade Estácio de Sá, Eduardo Jorge, comentou o caso com exclusividade para o nosso blog:  



Veja o comentário na íntegra aqui.

  

Woodward e Bernstein conseguiram vários furos de reportagem com o escândalo. Eles escreveram um livro, “Todos os Homens do Presidente”, que foi transformado em um filme, com o mesmo título, estrelado por Dustin Hoffman e Robert Redford. Veja aqui o trailer do filme em Inglês. 

 

A imprensa brasileira acompanhou o desenrolar do caso americano. Veja duas matérias publicadas no Jornal do Brasil sobre o assunto aqui e aqui.

Richard Nixon em discurso e Gerald Ford, vice-presidente que o sucedeu. Crédito da foto: AP (Associated Press)


Caso Lutfalla: um dos primeiros escândalos políticos do Brasil

Filed under: Casos Históricos — imprensainvestigativa @ 22:53


(Por Jane B. e Júlia M.)

Aconteceu em 1974, durante o período militar, no Governo Geisel, quando o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDE), hoje BNDES, concedeu milhões a uma empresa têxtil de propriedade da família da esposa do então governador de São Paulo, Paulo Maluf. Maluf e o ex-ministro do Planejamento, Reis Veloso, foram denunciados por irregularidades na concessão de empréstimos por parte do Estado para a empresa, que estava em falência. O caso ficou conhecido com Lutfalla, nome da empresa beneficiada e sobrenome da família que a regia.
 

Usando de sua influência com os militares, Paulo Maluf conseguiu que o BNDE injetasse dinheiro sem retorno na tecelagem, mesmo que o presidente do órgão fosse contra a concessão. O dinheiro era enviado a uma conta da esposa de Maluf, Silvia Lutfalla Maluf. Em 1977, o caso veio à tona, sendo notícia nos principais jornais do país. Em setembro de 1979, o Jornal da República fez acusações contra Maluf após coletiva do BNDE, quando foi dito que uma notitia criminis seria feita ao ex-governador e sua esposa. Em 1980, foi aberta a primeira CPI sobre corrupção no país. Anos depois, o Supremo Tribunal Federal (STF) arquivou o caso. 



Paulo Maluf 

Nascido em São Paulo no dia 31 de setembro de 1931, formou-se em administração e engenharia. Começou na vida política ainda no regime militar, afiliando-se ao partido Arena. Associou-se, também, ao populismo e conservadorismo. Foi prefeito de São Paulo por duas vezes (1969-1971 e de 1993-1997), secretário estadual dos Transportes, governador de São Paulo de 1979 a 1982 e candidato a presidente da República. Durante os 40 anos de carreira política, foi vinculado a escândalos e acusado por várias vezes de lavagem e desvio de dinheiro dos cofres públicos. Segundo o Mistério Público, o dano foi de R$ 10 bilhões. Apenas em 2005 foi possível provar uma das acusações. Paulo Maluf foi preso junto com o filho, Flavio Maluf por 40 dias e solto sob fiança. Atualmente os dois estão na lista de procurados da Interpol, em 181 países, e será preso ao deixar o cargo de deputado de federal de São Paulo.



Saiba mais: 

Sobre o caso

Paulo Maluf



Veja também:

Reportagem da revista Veja sobre Paulo Maluf

O comentarista Arnaldo Jabor fala sobre as alegações de defesa de Maluf