imprensainvestigativa

15 de junho de 2011

A CASA DO DELÍRIO: REPORTAGEM NO MANICÔMIO JUDICIÁRIO DE FRANCO DA ROCHA

Filed under: Grandes Obras — imprensainvestigativa @ 5:23

Por Amanda D. e Theo C.

 

As grandes reportagens aparecem com papel fundamental na formação de opiniões e na cultura do país. Um exemplo disso é o livro “A Casa do Delírio – Reportagem no Manicômio Judiciário de Franco da Rocha”, publicado em 2002, pela editora SENAC São Paulo, de Douglas Tavolaro, contribuindo para a reflexão do poder público e da sociedade civil.

A obra conta a história de um dos mais importantes hospitais-presídios do Brasil, o Manicômio Judiciário de Franco da Rocha construído em 1933. O local, em condições totalmente precárias, tinha capacidade para 420 leitos, mas chegou a abrigar 1800 pacientes. Ali eram comuns a fome, violência, sujeira e doenças.

Os internos eram submetidos a tratamentos como malarioterapia; traumoterapia e eletrochoque, e quem fugisse às regras era punido com doses excessivas de remédios. Em tempos de Ditadura militar, o manicômio tinha a fama de receber presos políticos, e participar da repressão.

O espaço foi construído como um presídio de segurança máxima subdividido em três andares. O primeiro, um bloco administrativo com os consultórios; o segundo, vinte celas fortes individuais para doentes perigosos; já o terceiro, dormitórios coletivos para até trinta internos. Em todo o espaço havia monitoramento de segurança.

Nas páginas de “A Casa do Delírio” podemos encontrar histórias como a de Mussalém, um professor aposentado de ciência política da Universidade de Campinas (Unicamp), transferido para o hospital em abril de 99, após 4 anos de cárcere na Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté.

Na biografia de Mussalém, um homem aparentemente inofensivo, se tratava na verdade, de um paciente de alta periculosidade. A obra é um retrato das falhas do sistema de segurança e de recuperação civil, altamente punitiva e pouco recuperativa do país.

A biografia de Mussalém você lê em www.fundamentalpsychopathology.org/material/casos_clinicos/mussalem.pdf.

Anúncios

Olga

Filed under: Grandes Obras — imprensainvestigativa @ 5:01

Por Amanda D. e Theo C.

O livro Olga, de Fernando Morais, nos remete a uma viagem a saga comunista vivida pela protagonista alemã Olga Benário, companheira de Luiz Carlos Prestes. O livro conta a difícil vida da jovem no Brasil, que foi deportada à Alemanha por conta de seus ideais, onde foi torturada e executada.

Trata-se de uma das primeiras publicações do jornalista e escritor Fernando Morais, especialista em livros de grande reportagem, que sem dúvida contribuiu para melhor visualização de todo aquele cenário vivido pelos comunistas na década de 30, período presidido por Getúlio Vargas.

A obra foi republicada em 1994 e serviu de inspiração para o filme também chamado Olga, realizado 10 anos depois pelo diretor Jayme Monjardim e estrelado pela atriz Camila Morgado. O filme, baseado no livro, foi sucesso de bilheteria.

A crítica do livro você encontra em http://pt.shvoong.com/books/247264-olga.

Assista também o trailer do filme de Jayme Monjardim:

Rota 66: A HISTÓRIA DA POLÍCIA QUE MATA

Filed under: Grandes Obras — imprensainvestigativa @ 4:40

Por Amanda D. e Theo C.

O livro-reportagem foi lançado em 1992 por Caco Barcellos, uma referência do jornalismo investigativo.  O trabalho de investigação do repórter à polícia de São Paulo durante cinco anos tem como início o assassinato, sem explicação, de um grupo de jovens de classe média de São Paulo.

Ele mostra como é o sistema de extermínio da Rota – Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar – sediada no 1º Batalhão da Polícia Militar. O retrato de 55 mil crimes de morte por ano. Vítimas desarmadas, indefesas, homicídios com demonstrações de crueldade, além das torturas, alterações da cena do crime e a impunidade por parte dos colegas do IPM – Inquérito Policial Militar. A obra é uma narrativa que denuncia como o sistema incentiva esse tipo de ação.

 Em entrevista a um portal de notícias da internet, Caco Barcellos conta com detalhes as ameaças que sofreu por causa da publicação do “Rota 66”, sendo alvo de processos e pondo em risco a própria vida. No entanto, na época o jornalista não se ateve as ameaças e perseguições, e relatou os crimes cometidos pela polícia. Com o livro, o repórter ganhou o Prêmio Jabuti na categoria grande reportagem em 1993.

A entrevista você confere em: http://www.maiscascavel.com.br/news.php?news=2385.

Sem dúvida Caco Barcellos é uma meta a ser alcançada para muitos aspirantes do jornalismo. Mas será que todos os estudantes de comunicação estariam dispostos a correr risco de morte e se envolverem com jornalismo investigativo para uma ascensão na carreira? Ou ainda com o objetivo de dar voz a crimes silenciados? Em entrevista com futuros profissionais da área, a maioria acredita que a investigação jornalística é importante, mas perigosa, e por isso pensariam muito antes de se engajarem nesse formato.

Ontem e hoje

Brincar de polícia e bandido já foi a distração preferida de crianças em gerações que não voltam mais. A disputa era por quem seria o herói da história, normalmente a polícia, entidade que representava o bem contra o mal. Hoje os papéis se confundem e quem arriscava confiar de olhos fechados na Justiça já não tem tanta certeza se a ação policial está a favor da sociedade ou luta em prol de si mesma.

É nesse contexto que surge o livro Rota 66, uma leitura forte, revoltante e de certa forma esclarecedora, que narra com frieza as mortes ocorridas no período da pesquisa, as ações da Polícia Militar, a corrupção que existia, e ainda existe, dentro das organizações policiais.

Pelo menos na obra de Caco Barcellos, o papel da imprensa investigativa se revela como uma tentativa de trazer à luz aquilo que as autoridades não alcançaram, ou não tiveram o interesse de descortinar aos olhos da sociedade.

No entanto, há uma discussão de que o trabalho do jornalista pode prejudicar o trabalho da polícia na investigação dos crimes. Mas quando eles são cometidos pela própria Instituição, quem irá contar os fatos? Investigar os meandros de ocorrências que a sociedade não tem acesso às informações? Quem irá em busca de respostas para mortes, sem sentido ou justificativa, provocadas pela própria polícia?

Confira o “Fala Galera” feito com alunos de jornalismo respondendo a seguinte pergunta: O trabalho de investigação deve ser feito pela imprensa ou isso é um trabalho da polícia? Assista o vídeo:

Faça o dowload do livro Rota 66 através do link www.livrosgratis.net/download/355/rota-66-a-historia-da-policia-que-mata–caco-barcellos.html.

Escola Base

Filed under: Grandes Obras — imprensainvestigativa @ 4:14

Por Amanda D. e Theo C.

 

O caso “Escola Base” ocorreu em São Paulo – Brasil, no início de 1994. Seis pessoas foram supostamente acusadas, em vários veículos de comunicação, de estarem envolvidas no abuso sexual de alguns alunos dessa escola. Entre os suspeitos estavam: um casal de donos do colégio, Ichshiro Shimada e Maria Aparecida Shimada; dois profissionais desta instituição, Maurício e Paula Monteiro de Alvarenga e, um casal de pais de alunos, Saulo da Costa Nunes e Mara Cristina França.

Segundo as denúncias que foram repassadas à imprensa, vídeos poderiam comprovar tais crimes. No entanto, após inúmeros danos, de origem moral e física, nenhuma prova ou sequer indício, pôde comprovar a veracidade das informações.

Este se trata na verdade de um exemplo de como não se fazer jornalismo, com pouca apuração e divulgação inconsequente. Em contrapartida, o livro “Caso Escola Base – Os abusos da imprensa”, de Alex Ribeiro, elabora com profunda investigação tudo que ocorreu neste episódio, inclusive os erros jornalísticos.

Estratégias essenciais do jornalismo investigativo

Desde o início, Ribeiro traz questionamentos que conduzem o leitor a refletir sobre o tema central: a falta da apuração criteriosa por parte da imprensa. Durante todo o trabalho, Alex Ribeiro indica várias sugestões de caminhos investigativos que poderiam ter sido seguidos para evitar a grande tragédia criada pelos jornalistas.

O autor mescla com seu texto várias referências de jornais e, até discursos de âncoras para dar credibilidade ao trabalho de apuração do livro-reportagem. Ele colhe subsídios suficientes como justificativa dos fatos que compõem sua obra. Como repórter investigativo, revela-se imparcial na apuração, buscando todos os lados e citando as diferentes versões.

A “imprensa marrom” (termo utilizado pelo autor), como formadora da opinião pública, provocou verdadeira revolta social em torno das falácias divulgadas. É o que diz a Professora de jornalismo da Universidade Estácio de Sá, Ana Lúcia Morais. Para ela o livro retrata muito bem como as vítimas tiveram a reputação destruída em nome de um sensacionalismo mídiático que busca o furo de reportagem em detrimento da informação.

Assista o vídeo com Ana Lúcia Morais:

Links relacionados:

Link do livro a venda: http://www.livrariaresposta.com.br/v2/produto.php?id=162123

Reportagem sobre o caso PARTE 1: http://www.youtube.com/watch?v=033A9C13gGY

Reportagem sobre o caso PARTE 2: http://www.youtube.com/watch?v=6xrS5MXW0dY&feature=related

Indenização: http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI669907-EI306,00 Caso+Escola+Base+Globo+terra+de+pagar+R+mi.html