imprensainvestigativa

15 de junho de 2011

César Tralli mostra os fatos

Filed under: Jornalistas Brasileiros — imprensainvestigativa @ 3:46

Por Rafaella G. e Carla F.

Jornalista César Tralli

Essa semana vamos falar de mais um grande jornalista, César Tralli, conhecido por grandes coberturas. O jornalista da TV Globo, desde 1993, participou de grandes coberturas, como o atentado às torres gêmeas do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001, por exemplo. Mas o Tralli não começou na televisão. Antes, passou por vários veículos de comunicação e ainda muito cedo começou sua trajetória na televisão, aos 21 anos, no programa turístico independente “Flórida On Line”, transmitido pela TV Record. E para quem só se recorda do jornalista na TV Globo, é importante lembrar da sua contribuição no programa “Aqui Agora” no SBT, que já mostrava a “veia” investigativa desse profissional.

Como todo jornalista não trabalha sozinho, César Tralli conta com uma equipe que dá todo o suporte e um grande produtor, o Robinson Cerântula, que faz parte do Núcleo de Reportagens Investigativas em São Paulo. “Jornalismo investigativo é um jornalismo de bastidor, de apuração de assuntos que não estão a mostra. Hoje a gente tem grandes jornalistas que se especializaram nesse tipo de jornalismo. Mas eu acho que é um jornalismo mais de produção do que de trabalho de campo mesmo. Tem que ter muita fonte e a fonte é fantástica! E o Tralli, ele busca isso, ele conseguiu isso. Ele e o Cerântula, que é o produtor dele”, relata Max Andrade, editor da Intertv – Afiliada Rede Globo e professor universitário.

O “faro” jornalístico de César Tralli o conduziu a prêmios e grandes reportagens que viraram processos judiciais. Através da apuração, ele descobriu casos como as irregularidades nas obras do Metrô de São Paulo, por exemplo, que resultaram na queda do presidente da companhia e, descobriu a máfia do Sindicato dos Motoristas de Ônibus de São Paulo.

Na opinião de Max Andrade, “Uma investigação que até chegar ao fim vai resultar na mudança de um comportamento, no devolvimento de uma grana, no escândalo de CPI, aí qualquer risco é válido”.

Assista algumas reportagens de César Tralli:

Prêmios

– Prêmio Embratel de Jornalismo na categoria”Televisão”;

– Prêmio Comunique-se, como Melhor Repórter de Vídeo do País;

– Grande Prêmio Rede Globo de Televisão, nos casos da prisão de Law e da máfia dos motoristas  de ônibus de São  Paulo;

– Troféu Barbosa Lima Sobrinho, maior premiação concedida pelo Prêmio Imprensa Embratel, por uma série de reportagens sobre adulteração de combustíveis.

Vida e Carreira

Nasceu em São Paulo, capital, em 23 de dezembro de 1970. É formado em jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero. Foi correspondente em Londres, mais novo de toda a história, em 1995. Durante os cinco anos que passou na Inglaterra, fez reportagens em 30 países.

 

Busca pela segurança fez com que Jornalistas famosos criassem a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo

Filed under: Jornalistas Brasileiros — imprensainvestigativa @ 3:14

Por Rafaella G. e Carla F.

Jornalista e escritor Fernando Molica

“Sinônimo de jornalismo responsável, informações bem apuradas, com todos os lados ouvidos. Em resumo, reportagens que abordem de maneira extensiva um determinado assunto,” essa é a explicação do termo Jornalismo Investigativo, dada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, a Abraji. Um dos seus integrantes e diretor da Associação, Fernando Molica é um grande jornalista dessa área. Além de jornalista, é também escritor, autor dos livros “Notícias do Mirandão”, “O Ponto de Partida”, “Bandeira Negra Amor”, além do seu principal livro, o livro-reportagem “O Homem que morreu três vezes”, que recebeu menção honrosa do prêmio Vladimir Herzog.

Para muitos, jornalismo investigativo é uma categoria do jornalismo. Mas para Fernando Molica não: é uma forma de fazer jornalismo. “Primeiro a função do jornalismo é de informar, o que chamamos de investigativo é uma das maneiras de fazer jornalismo. Esse tipo de matéria exige maior grau de investigação do repórter e do próprio veículo. Você pode ficar um ou dois meses fora das pautas. Mas a função é fazer um bom Jornalismo. Um exemplo atual é a revelação que os veículos fizeram do Palocci e está há duas semanas na mídia, essa revelação parte da função de informar e com isso, disponibiliza assuntos para serem discutidos na sociedade,” afirma o jornalista.

Segundo Fernando Molica, a função da Associação é de uma comunidade que discute a prática jornalística e troca experiências, após a morte do jornalista Tim Lopes. “Ela nasceu da tragédia, do assassinato do Tim Lopes. Um grupo de Jornalistas se uniu para formar esse movimento para discutir a segurança no exercício da profissão, disseminar técnicas de segurança e de apuração mais atuais, o Brasil está um pouco atrasado em relação a outros países do mundo. Buscávamos trocar experiências, informações, para o aprimoramento das técnicas. A Abraji faz Congressos, cursos para disseminar informação,” explica o escritor e jornalista.

Veja o vídeo de Fernando Molica no Programa Jogo de Ideias:

Marco no Jornalismo

Em 2002, o jornalista Tim Lopes foi torturado até a morte, no Complexo do Alemão, por traficantes, quando foi fazer uma matéria investigativa sobre um baile funk na favela da Vila Cruzeiro. Depois da morte de Tim Lopes, as redações dos jornais e da TV passaram a se preocupar mais com a segurança dos jornalistas. Molica lembra das mudanças na época do assassinato.“Houve um grande impacto em todos nós. Primeiro porque ele era muito querido. Trabalhei com ele na Folha e na TV Globo, era muito admirado. Segundo, porque quebrou o paradigma que jornalista é intocável. O que nós fazíamos para conseguir matérias nas favelas era ir ao morro direto na Associação de Moradores para pedir autorização para fazer alguma matéria lá, mas na verdade a Associação funcionava como intermediária, ela por sua vez, pedia autorização para os traficantes. Tomamos a consciência que estávamos legitimando o tráfico. Gerou outras consequências, hoje fazer pauta de favela só se ela tiver UPP, porque jornalista virou alvo de bandido. Na semana passada, em Manguinhos, os traficantes jogaram bomba nos jornalistas. Nas redações, dependendo da matéria, você sai de carro blindado e colete a prova de balas. Na rede Globo quando a matéria é para ser gravada de madrugada o repórter só sai de carro blindado,” disse Fernando.

Acesse o site do jornalista Fernando Molica e conheça a sua trajetória, os seus livros, o blog e muito mais: www.fernandomolica.com.br.

Marcelo Rezende ganhou prêmios por denúncias

Filed under: Jornalistas Brasileiros — imprensainvestigativa @ 2:39

Por Rafaella G. e Carla F.

 

Marcelo Rezende é conhecido por fazer matérias sobre tráfico de armas, corrupção no futebol e pirataria fonográfica. Mas o que ninguém sabe é que ele começou a carreira no jornalismo esportivo, atuando como repórter na revista Placar. Ganhou notoriedade quando fez a entrevista com o motoboy Francisco de Paula, o “Maníaco do Parque” para a Rede Globo.

Além da função de repórter, o jornalista também apresentou alguns programas que seguiam a mesma linha editorial, como Linha Direta, da TV Globo; Cidade Alerta, da TV Record; Repórter Cidadão, da Rede TV!; Tribunal na TV, da Band, e matérias especiais no programa Domingo Espetacular.

O programa Domingo legal, apresentado por Gugu Liberato, do SBT, exibiu um vídeo com supostos bandidos ameaçando Marcelo Rezende e outros políticos. O jornalista desconfiou da veracidade do vídeo e, descobriu que se tratava de uma farsa para manter a audiência. O fato foi a público, o que causou mal estar entre Gugu e a emissora.

Para o Jornalista Charles Rodrigues, editor de polícia do Jornal O São Gonçalo, o trabalho investigativo pode seguir uma linha diferente.  “Sou contra forjar matérias. Acredito que o trabalho deve ser limpo e transparente. Você pode fazer um trabalho investigativo sem precisar burlar a lei, apurando, levantando documentação e depoimentos. O jornalismo investigativo só é válido quando traz benefício para a sociedade. Se ele trouxer só audiência ou uma boa matéria e não beneficiar mais ninguém, não vale a pena,” explicou Charles.

Veja o vídeo em que Gugu Liberato pede desculpas a Marcelo Rezende.

Prêmios

Ganhou o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo, em 1997, pela reportagem da Favela Naval, de Diadema.

Em 2003, recebeu o troféu Homem do Ano, como um dos destaques no jornalismo de 2003, pela Assembléia Legislativa de São Paulo.

Em 2005, recebeu o prêmio Quality Cultural.

Agenda

Marcelo Rezende vai participar do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, na palestra Crime: os desafios da cobertura policial.

Informações no site da ABRAJI: www.abraji.org.br

 

Tim Lopes: Um Marco no Jornalismo Investigativo

Filed under: Jornalistas Brasileiros — imprensainvestigativa @ 2:19

Por Rafaella G. e Carla F.

“Bom de trabalhar, excelente apurador, boa praça, insistente. Ele não desistia na primeira pedra”, elogiou o ex- jornalista da Tv Globo, Oscar Colombo. Era assim que o jornalista Tim Lopes, morto em 2002 quando fazia uma matéria na favela Vila Cruzeiro, é lembrado pelos colegas.

Tim Lopes era conhecido por fazer matérias investigativas de denúncia social. Mas você sabia que ele ajudou na investigação de um caso do esporte? Pois é, ele compôs uma equipe de jornalistas que apuraram o episódio envolvendo a CBF, Eurico Miranda e Globo. “Eu era da editoria de esportes do Jornal Nacional e é mais comum ela falar de ídolos, gols marcados, vitórias e recordes do que fazer matérias investigativas em cima de um personagem do esporte. Mas aconteceu um caso que numa final do campeonato João Havelange, o Eurico Miranda colocou na camisa do Vasco a logo do SBT, sendo que a transmissão era feita pela Rede Globo. Foi a gota d’água para a emissora se manifestar contra o dirigente do time cruzmaltino. Montou uma equipe de “focas” para investigar o dirigente, incluindo o Tim. Dentro da investigação feita, ele tinha um propósito que era achar o laranja do Eurico Miranda, Aremithas José de Lima e queria arrancar um depoimento dele. Ele me pedia equipamento todo dia para ficar de plantão na casa do Aremithas, até que um dia ele conseguiu e a matéria foi ao ar no Jornal Nacional”, contou  Colombo.

Outro episódio curioso na carreira de Tim Lopes, foi se fantasiar de jornalista no carnaval. “Tinha uma coisa nele que não era só investigativa. No Carnaval ele se fantasiou de repórter com uma camêra na mão de papelão, dentro dela tinha uma câmera escondida. Ele conseguiu as melhores entrevistas porque as pessoas não sabiam que estavam sendo filmadas”, falou Oscar Colombo.

Veja o vídeo feito pelo Jornal Nacional homenageando Tim Lopes:

Vida

Tim Lopes nasceu em Pelotas, no dia 18 de novembro de 1950.  Estudou Jornalismo na Faculdade Hélio Alonso (FACHA), no Rio de Janeiro.

Um apaixonado por Carnaval e pela escola de samba Mangueira, além da paixão pelo seu time de coração Vasco da Gama.

Carreira

O produtor trabalhou na década de 70 no jornal alternativo “O Repórter”, na sucursal do Rio de Janeiro na “Folha”, nos jornais “O Dia”, “Jornal do Brasil” e o “Globo”.

Na TV Globo trabalhava desde 1996, em séries de reportagens para o “Fantástico” e outros programas.

Prêmios

Em 1994, recebeu oprêmio de melhor reportagem feita no jornal O Dia pela série “Funk: som, alegria e terror”.

Ganhou o prêmio Esso em 2001 com a equipe da Rede Globo pela reportagem “Feirão das Drogas”, que denunciava, com uma câmera escondida, a venda livre de drogas no Complexo do Alemão, sendo o prêmio o primeiro concebido para a categoria televisão.

Morte

Em 02 de junho de 2011, completaram nove anos da morte de Tim Lopes. Com seu falecimento, a Globo ficou mais cautelosa e passou a pedir para seus repórteres não fazerem matérias investigativas.