imprensainvestigativa

15 de junho de 2011

Diabetes: Uma doença compulsória para a população e silenciosa para o Governo

Filed under: Saúde — imprensainvestigativa @ 17:38

Os diabéticos devem fazer verificações regulares do nível glicêmico no sangue.

(Por L. Farias e L. Borges) 


Os problemas que a sociedade enfrenta na Saúde Pública são inúmeros. A falta de medicamentos e o custo alto de alguns remédios são alguns deles, pois prejudicam o tratamento de muitas pessoas que não têm acesso ou condição de pagar por um tratamento particular.


No caso da Diabetes, uma doença que atinge pelo menos 14,670% da população brasileira com mais de 40 anos, segundo pesquisa realizada em março de 2011 pelo Ministério da Saúde, a situação é bem precária para os que não têm condições de arcar com o tratamento que chega a preços impraticáveis quando o nível glicêmico do paciente está alto.


Em Niterói, o fluxo da rede nas unidades públicas é intenso. As Unidades possuem poucos Clínicos Gerais, Pediatras e Ginecologistas. Mesmo assim, muitos médicos faltam e a demanda continua grande. Para marcar uma consulta, o paciente tem que ficar na fila e esperar mais de uma semana para ser atendido. É o caso da Senhora Jacinta Oliveira, portadora de diabetes e insulinadependente. Jacinta relata que teve que aguardar por uma vaga no Posto da Vital Brasil  mais de duas semanas. O paciente, quando chega na Unidade Básica com sintomas de um possível diagnóstico de diabetes, é atendido primeiramente por um Clínico Geral, que faz os exames. O Clínico  é a porta de entrada para o tratamento de diabetes. Depois o paciente é encaminhado para um endocrinologista.  Quando o nível glicêmico é alto e o paciente da unidade pública precisa de insulina e não tem condição de pagar por este medicamento,  que é caro, a situação se complica.


O processo para conseguir o tratamento não é fácil. É preciso procurar a Secretaria Municipal de Saúde para, através dela, conseguir os medicamentos com o Ministério daSaúde. O Governo é obrigado por lei a ceder gratuitamente os medicamentos aos pacientes com doenças crônicas como a diabetes. A prefeitura também é responsável pelas fitas de medição de glicemia. Masmuitas pessoas não conseguem usufruir desse direito e, quando conseguem, os remédios demoram para chegar. É o que confirma Luiz ferreira Couto, de 46 anos. Ele conseguiu os medicamentos em 2009 através da Prefeitura de Niterói, mas, algumas vezes, os remédios não chegaram no prazo estipulado.


Quando o medicamento demora para chegar, os postos de saúde começam a trabalhar com o que está disponível na Unidade. O paciente é encaminhado pelo médico para uma farmácia da unidade ou para uma Farmácia Popular, onde retirará o medicamento.


A insulina não é um medicamento disponível nas farmácias populares nem nos Postos de Saúde, então muitos portadores que são insulinodependentes e precisam de tratamento urgente esperam meses  para conseguí-lo através do Ministério da Saúde, mesmo já tendo acionado a Prefeitura.


Para que os remédios cheguem mais rápido, foi criado o HIPERDIA (Hipertensão e Diabetes) pela  Secretaria Municipal de Saúde de Niterói. Este programa existe  há apenas 8 meses e é uma parceria com o Ministério da Saúde. Antes deste programa, as pessoas que não tinham condição financeiras deveriam abrir um processo na Justiça para conseguir o tratamento gratuito para a diabetes.


O processo para participar do programa é simples. O portador da diabetes precisa apenas se cadastrar no HIPERDIA. Este projeto é baseado em quantos usuários são atendidos, levando em consideração o grau da diabetes, se é tipo 1, 2 ou se o paciente é atendido no Ambulatório  ou no Hospital.


Ana Letícia Mariano, assessora da Secretaria Municipal de Saúde de Niterói, afirma que o portador de diabetes que procura o HIPERDIA é cadastrado e todas as Unidades Públicas da cidade tem este programa, que conta também com grupos e palestras para a prevenção.


Um exemplo da dificuldade encontrada pelos diabéticos em busca do tratamento é Vânia Lamônica Pereira. Vânia é professora, tem
40 anos e descobriu a diabetes tipo 2 aos 35. Ela é insulinodependente e teve dificuldade para obter o medicamento. Ela teve que acionar a prefeitura de Bom Jesus, interior do Estado, onde vive, para receber de graça a insulina que falta na cidade. Como a prefeitura de Bom Jesus não pôde fazer nada, ela recorreu à justiça. Ao ganhar a causa, Vânia recebeu apoio da Secretaria Municipal de Saúde da cidade para vir à Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro uma vez por mês para receber a insulina. Se não tivesse conseguido o apoio, teria que desembolsar 870 reais por mês. Vânia conseguiu a causa e hoje, todo o mês, vem ao Rio de Janeiro com outros portadores da diabetes em uma van da Secretaria de Municipal de Saúde da Prefeitura de Bom Jesus para ter acesso ao tratamento.


“Cansativo? Para mim é, sem dúvida. Mas esta é a única forma para que eu e outras pessoas que não têm condições possam se tratar”, disse Vânia


Segundo as estatísticas,  o número de casos de diabetes tem aumentado constantemente e a doença chega a ser considerada uma pandemia no mundo inteiro. A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro considera a diabetes como uma doença de notificação compulsória, ou seja, as unidades não informam o total de pessoas em tratamento, não havendo uma estatística estadual.


Segundo o Ministério da Saúde, nos próximos 25 anos o número de diabéticos pode dobrar em todo o mundo. Serão 300 milhões de
pacientes.


Assista a dois depoimentos sobre o assunto:

11 de junho de 2011

O drama das mulheres grávidas que revezam cadeiras para dar à luz nos hospitais do Rio

Filed under: Saúde — imprensainvestigativa @ 1:30

(Por L. Borges)

Hospital Estadual Rocha Faria, em Campo Grande, vive um dilema desde o final do ano passado. Com o fechamento do Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, devido a um incêndio, houve uma grande procura na maternidade de alguns hospitais na cidade do Rio. 

Mulheres com contrações, entrando em trabalho de parto,  misturam-se às recentes mães no Rocha Faria, ainda com pontos na barriga, nos corredores dos hospitais, para serem atendidas. Há insatisfação por parte das pacientes, pois elas precisam ficar sentadas em cadeiras desconfortáveis em corredores frios à espera de algum médico. 

O Hospital Rocha Faria atende, em média, 80 mulheres por dia e realiza 20 partos, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde. Cada plantão deveria ter, no mínimo, 15  médicos, o que não acontece nas últimas duas semanas no hospital Rocha Faria.  

Além disso, o péssimo cenário do hospital é visível. Há falta de macas, leitos e equipamentos para exames, não esquecendo o escasso atendimento médico. Em março de 2009, 50 médicos do Hospital Rocha Faria pediram demissão. Médicos alegaram  que nos meses de dezembro a janeiro de 2008 recebiam R$ 3 mil mensais por quatro plantões de 12 horas, porém, iriam passar a receber o mesmo valor para trabalhar em dobro. A secretaria municipal na época alegou que vagas seriam abertas para médicos que concordassem com o plano. 


De acordo com um levantamento do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj), em janeiro deste ano, no Hospital Rocha Faria, o número de partos subiu de 350 para 750. Devido à grande procura por atendimento, 25 cadeiras foram doadas para atender as mulheres grávidas ou as que já estavam com seus filhos recém-nascidos. Na UTI, também há uma grande falta de leitos. O Cremerj apontou em uma visita recente que, na unidade, em um espaço na UTI neonatal para 20 leitos estavam 30 bebês.


Em nota, a Secretaria Estadual do Rio de Janeiro lembra que, com o fechamento do Hospital Pedro II, após o incêndio ocorrido em outubro do ano passado, houve um aumento no atendimento nas maternidades dos hospitais Rocha Faria e Albert Schweitzer. Porém, a Secretaria de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro, (Sesdec) afirmou que obras estão sendo realizadas para a ampliação da maternidade do Albert Schweitzer, que deve ser inaugurada em breve. A secretaria também comunicou que reforçou a equipe médica das unidades. 

A questão  é: Onde estão esses médicos? 



No vídeo abaixo produzido pela TV Record, podemos ver que os problemas não são recentes.  

  


Bebê que nasceu com hidranencefalia, teve a perna amputada e morreu meses depois

Filed under: Saúde — imprensainvestigativa @ 1:24

Fatalidade ou descuido dos médicos?
 

(Por L. Borges)


A menina Kamyle Vitória Nascimento, que nasceu no dia 21 de fevereiro, no Instituto Fernandes Figueira (pertencente à FIOCRUZ), com quadro de hidranencefalia (acúmulo de água no cérebro) e que teve perna amputada dias após seu nascimento em uma cirurgia, acabou morrendo no início do mês de março. O bebê teve a perna queimada por um equipamento enquanto passava por um procedimento neocirúrgico no primeiro dia de março. Por consequência da queimadura, a perna teve de ser amputada. O caso foi registrado como uma ocorrência de lesão corporal um dia depois na 9ª DP (Catete).

O Instituto divulgou em nota que “durante a cirurgia, a equipe observou a ocorrência de uma queimadura na região proximal da perna direita, onde havia sido colocada a placa para utilização do bisturi elétrico. O evento, que causou alterações de fluxo sanguíneo no membro lesionado, foi imediatamente notificado à direção do Instituto, que iniciou investigação para apurar as causas do ocorrido”.

Segundo peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), “não foi encontrado nenhum defeito no funcionamento do bisturi na cirurgia e nenhuma irregularidade nas instalações no centro cirúrgico, e que a provável causa do acidente ocorrido durante a cirurgia foi falha humana.”

A menina recebeu alta no fim de abril e, dias depois, passou mal em casa e teve febre alta. Ela foi levada pela avó e pela mãe a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sarapuí, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

A Secretaria Estadual de Saúde informou em nota que a criança já chegou morta à Unidade. Peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) informaram que a causa da morte do bebê foi um “evento previsível, já que ela sofria de hidranencefalia.”

Dois neurocirurgiões que operaram a menina e uma enfermeira foram indiciados por lesão corporal culposa.


Assista ao vídeo:


Calamidade em hospital pediátrico da UFRJ

Filed under: Saúde — imprensainvestigativa @ 0:50

Unidade carece de leitos em UTI, equipamentos e material hospitalar básico

Gaze e esparadrapo foram usados para atar tubos de respirador. O elo deveria ser feito com uma peça de conexão plástica com a qual a unidade de saúde não conta na enfermaria improvisada. (Fonte: Jornal O Dia)

(Por L.F. Abreu)

Monitores cardíacos fixados com esparadrapo, respiradores “raptados” de ambulâncias e gazes segurando outros respiradores para não machucar a boca de um bebê são apenas alguns dos flagras obtidos na calamidade das instalações públicas, que sobrevivem à base de improvisos.


Já é rotina os atendimentos e as consultas à base “da amizade” devido a filas e falta de vagas nas Centrais de Transferências. Casos que vêm a público e são denunciados na grande mídia acabam recebendo a cirurgia por solidariedade de médicos voluntários, como denuncia Carlindo Machado e Silva Filho, Coordenador da Comissão de Fiscalização do Cremerj, ao jornal O Dia referindo-se à falta de leitos na Maternidade Leila Diniz.


“Um pediatra intensivista recebe R$ 1,6 mil mensais, o mesmo que outros médicos, que lidam com pacientes menos graves”, alerta Jorge Darze, presidente do Sindicato dos Médicos.

Maternidade Leila Diniz (Fonte: Sindicato dos Médicos)



A Maternidade Leila Diniz, na Barra da Tijuca, conta desde sua inauguração, em 2008, com nove UTIs pediátricas intactas, sem nunca terem sido utilizadas. Motivo? Falta de pediatras intensivistas, pois segundo a própria Secretaria Municipal de Saúde, a maternidade Leila Diniz foi construida “sem planejamento” e que o órgão priorizou a recuperação e ampliação do serviço que já era oferecido.


O Hospital Federal de Bonsucesso possui uma extensa fila de transplantes, remarcações e cancelamentos da cirurgia devido à falta de anestesistas. O hospital também alega falta de leitos na UTI.


A Subsecretaria de Atenção à Saúde do Estado admite o déficit de 30 leitos de UTI pediátrica na rede estadual: “Estamos fazendo licitação para contratar leitos na rede privada. Estudamos fazê-lo emergencialmente. Mas essa responsabilidade não é somente do estado. Os municípios precisam atuar. E a rede federal poderia ampliar o número de leitos do IPPMG (Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira)”.


O médico Arnaldo Prata Barbosa, um dos maiores nomes da pediatria e da medicina intensiva no Brasil, especialista em Medicina Intensiva pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) e doutor em Saúde da Criança e do Adolescente pela UFRJ, nos ensina que, para cada mil nascimentos, são necessários quatros leitos de UTI: um de neonatal e três semi-intensivas.

Gaze em Monitor cardíaco














Vídeos:

http://youtu.be/DSKux3CopC4 

http://youtu.be/G3HG1ZOd5rs