imprensainvestigativa

15 de junho de 2011

Mistério em Niterói, região metropolitana do Rio

Filed under: Polícia — imprensainvestigativa @ 6:29

Por Francine D. e Roseane A.

A designer Amaly Olympia de Vasconcelos Tauil

No dia 23 de março deste ano, o corpo da designer Amaly Olympia de Vasconcelos Tauil, de 51 anos, foi encontrado pela filha dela na sala da casa onde morava no bairro de Piratininga, em Niterói, região metropolitana do Rio. Segundo o delegado da 81 DP (Itaipu), Adílson Palácio, a vítima teria feito um registro de ameaça de morte há pelo menos um ano.

O corpo da designer já estava em estado avançado de decomposição, e o assassinato pode ter ocorrido no domingo da mesma semana em que o corpo da vítima foi encontrado. Uma pedra de mármore suja de sangue foi encontrada no jardim da casa. A suspeita é de que ela tenha sido morta enquanto dormia.

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CRIME SEM CASTIGO – Apenas dois envolvidos no caso de tortura a equipe do jornal O Dia foram condenados

Filed under: Polícia — imprensainvestigativa @ 6:21

Por Francine D. e Roseane A.

Hoje a favela do Batan, em Realengo, no subúrbio do Rio tem uma Unidade de Polícia Pacificadora – UPP, mas nem sempre foi assim. Há pelo menos três anos atrás, no dia 14 de maio de 2008, uma equipe do jornal O Dia, foi brutalmente torturada por milicianos que dominavam a área. Sem qualquer indício de resolução total do caso, mais um crime cometido por milicianos passa impunemente.

Nessa época a equipe do jornal investigava a atuação das milícias na comunidade. Eles alugaram uma casa, durante um mês, no alto do morro e se passavam por moradores, a fim de coletar provas contra o crime praticado por um bando de ex-policias militares, bombeiros e até ex-traficantes.

Repórter, fotógrafo e motorista foram torturados por 20 homens durante sete horas e meia a socos, chutes, choques elétricos, sufocamento e pressões psicológicas, em um barraco na favela conhecido como quartel-general. Tiveram seus computadores invadidos, senhas de e-mail reveladas, documentos rasgados, dinheiro roubado, além de ameaças constantes de morte.

 Após momentos de muita violência a equipe foi libertada, às 4h30, na Avenida Brasil. Com medo de retaliações e possíveis milicianos vigiando, nenhuma das vítimas fez registro de ocorrência na delegacia.

Vale lembrar que até hoje, apenas dois homens foram condenados à prisão. O ex-policial civil Odinei Fernandes da Silva, e Davi Liberato de Araújo, ambos condenados a 31 anos de prisão pelos crimes de tortura, roubo e quadrilha armada.

Na época o jornal O Dia publicou a seguinte nota:

“Uma repórter, um fotógrafo e um motorista do jornal O Dia foram seqüestrados e torturados pela milícia da favela do Batan, em Realengo, na zona oeste do Rio, na noite de 14 de maio de 2008. A equipe fazia uma reportagem sobre a vida de moradores em regiões controladas por milicianos, conforme relata em detalhes matéria na edição deste domingo, 1º de junho, de O Dia.

Os três profissionais estão a salvo, em bom estado de saúde, em local seguro, e vêm recebendo irrestrito apoio da empresa, incluindo acompanhamento psicológico. O fato, ocorrido há duas semanas, só foi divulgado agora para garantir a integridade física dos envolvidos.

O governador Sérgio Cabral e as autoridades policiais do Estado do Rio foram informados e estão acompanhando atentamente o caso. A investigação está a cargo do delegado Cláudio Ferraz, titular da Draco, que tem tido uma conduta exemplar.

O Dia reitera sua confiança no trabalho da polícia e tem a convicção de que os bandidos, que usam a farda para cometer crimes, serão presos e punidos na forma da lei”.

Vazamento de informações derruba chefe da polícia civil

Filed under: Polícia — imprensainvestigativa @ 5:59

Por Francine D. e Roseane A.

 

Allan Turnowiski, afastado da Polícia Civil

O chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Allan Turnowiski, é afastado do cargo acusado pelo vazamento de

informações durante a Operação Guilhotina, realizada pela Polícia Federal em fevereiro deste ano.

Escutas telefônicas teriam provado que Turnowiski deu informações sobre a operação a um inspetor que estava sendo investigado. Depois de ter sido afastado, ele negou saber da operação. Mesmo assim, Allan Turnowiski foi indiciado pela Polícia Federal. Segundo o Ministério Público não há indícios de que o ex-chefe da Polícia Civil tenha tido conhecimento da operação.

As ligações telefônicas citadas no processo aconteceram em novembro de 2010 e a Operação Guilhotina só aconteceu em 11 de fevereiro de 2011, segundo o resultado dos relatórios apresentados pelo Ministério Público. O MP disse ainda, não ter lógica uma pessoa sabendo que tem suas ligações monitoradas passar informações por telefone.

Agora a decisão de arquivar o inquérito em que o ex-chefe da Polícia Civil sofre acusação de vazamento de informação está nas mãos do juiz Guilherme Schilling Pollo Duarte da 32 Vara Criminal.

 

Vídeo sobre o caso Allan Turnowiski:

 

 

 

À Espera Da Justiça – Chega ao fim as investigações do assassinato da missionária Dorothy Stang

Filed under: Polícia — imprensainvestigativa @ 5:44

Por Francine D. e Roseane A.

Irmã Dorothy Stang

Seis anos após a morte da missionária americana Dorothy Stang, no Pará, o último acusado do crime é condenado a 30 anos de prisão. Regivaldo Pereira Galvão, o ‘Taradão’, foi acusado juntamente com o também fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o ‘Bida’, de terem pago R$ 50 mil reais pela morte da religiosa.

No total foram cinco condenações, dentre elas: Rayfran Sales, o ‘Fogoió’, autor dos disparos; Amair Feijoli da Cunha, responsável por contratar o atirador; e Clodoaldo Batista, que acompanhou a execução do crime.

Pessoas próximas a vítima contam que a missionária recebia constantes ameaças de morte, pois denunciava policias civis e militares de participar da expulsão de trabalhadores, a mando de fazendeiros e latifundiários da região.

Foi em fevereiro de 2005, aos 73 anos, que a missionária foi morta com seis tiros em uma estrada na cidade de Anapu, a 750 km de Belém. Dorothy lutava contra o desmatamento ilegal, a grilagem de terras e a produção agrícola familiar.

De acordo com um de seus companheiros na Comissão Pastoral da Terra, Padre José Amaro Lopes, a missionária era vista como uma mulher destemida ao propôr um novo modelo de assentamento rural baseado em atividades de baixo impacto ambiental e agricultura de subsistência.

“Quando se levanta a voz contra aqueles que se dizem donos do poder, certas coisas acontecem. O projeto de desenvolvimento sustentável veio de encontro aos interesses dos grandões”, declarou Amaro, e acrescenta “com o sangue dela, vão brotar mais pessoas para lutar em defesa da vida e para que possamos ter as nossas terras e nossas florestas preservadas”, enfatizou.

Outra companheira de Dorothy no Grupo de Trabalho Amazônico, Antônia Melo, atribui sua morte ao novo modelo de assentamento, que fez crescer o ódio dos fazendeiros e grileiros da área. “Muitos atribuíam a idéia do projeto a Dorothy. Aí, deu no que deu”, contou Antônia.

Terra Sem Lei: Velho Oeste?

Temendo a maneira como as investigações poderiam ser conduzidas pelos policias brasileiros, o FBI e a embaixada dos EUA em Brasília passam a acompanhar de perto todo o inquérito do crime.

Na época, o então embaixador norte-americano no Brasil, John Danilovich, mandou um telegrama a Washington relatando sua desconfiança na justiça brasileira e no andamento do caso: “No Pará, onde a missionária foi morta, é uma terra sem lei, como no Velho Oeste”, e continua, “acredita-se que autoridades estatais corruptas tenham permitido a grilagem de terra em larga escala e o desmatamento durante anos”.

Três investigadores do FBI examinaram a cena do crime. Tiraram fotos, recolheram testemunhos e interrogaram três possíveis suspeitos. Todo esse material era enviado semanalmente para Washington. A ideia era que o advogado-geral dos EUA apresentasse o caso perante o tribunal do júri Norte-Americano.

Nos três anos seguintes ao crime a embaixada americana produziu nove relatórios sobre o assunto, reafirmando que o Pará se parece “com a imagem popular do Velho Oeste: isolado e pouco povoado”, e deixando claro sua posição de desconfiança quanto a postura do ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos.

“Estamos meio confusos com a relutância de Bastos em federalizar o caso devido ao alto envolvimento federal e a oportunidade do caso ser teste para a nova lei de federalização”, comenta Danilovich em um dos relatórios.

Assista a trechos do documentário ‘Mataram Irmã Dorothy’ (2009), do norte-americano Daniel Junge, e narrado pelo ator brasileiro Wagner Moura.

 

 

 

 

A CASA DO DELÍRIO: REPORTAGEM NO MANICÔMIO JUDICIÁRIO DE FRANCO DA ROCHA

Filed under: Grandes Obras — imprensainvestigativa @ 5:23

Por Amanda D. e Theo C.

 

As grandes reportagens aparecem com papel fundamental na formação de opiniões e na cultura do país. Um exemplo disso é o livro “A Casa do Delírio – Reportagem no Manicômio Judiciário de Franco da Rocha”, publicado em 2002, pela editora SENAC São Paulo, de Douglas Tavolaro, contribuindo para a reflexão do poder público e da sociedade civil.

A obra conta a história de um dos mais importantes hospitais-presídios do Brasil, o Manicômio Judiciário de Franco da Rocha construído em 1933. O local, em condições totalmente precárias, tinha capacidade para 420 leitos, mas chegou a abrigar 1800 pacientes. Ali eram comuns a fome, violência, sujeira e doenças.

Os internos eram submetidos a tratamentos como malarioterapia; traumoterapia e eletrochoque, e quem fugisse às regras era punido com doses excessivas de remédios. Em tempos de Ditadura militar, o manicômio tinha a fama de receber presos políticos, e participar da repressão.

O espaço foi construído como um presídio de segurança máxima subdividido em três andares. O primeiro, um bloco administrativo com os consultórios; o segundo, vinte celas fortes individuais para doentes perigosos; já o terceiro, dormitórios coletivos para até trinta internos. Em todo o espaço havia monitoramento de segurança.

Nas páginas de “A Casa do Delírio” podemos encontrar histórias como a de Mussalém, um professor aposentado de ciência política da Universidade de Campinas (Unicamp), transferido para o hospital em abril de 99, após 4 anos de cárcere na Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté.

Na biografia de Mussalém, um homem aparentemente inofensivo, se tratava na verdade, de um paciente de alta periculosidade. A obra é um retrato das falhas do sistema de segurança e de recuperação civil, altamente punitiva e pouco recuperativa do país.

A biografia de Mussalém você lê em www.fundamentalpsychopathology.org/material/casos_clinicos/mussalem.pdf.

Olga

Filed under: Grandes Obras — imprensainvestigativa @ 5:01

Por Amanda D. e Theo C.

O livro Olga, de Fernando Morais, nos remete a uma viagem a saga comunista vivida pela protagonista alemã Olga Benário, companheira de Luiz Carlos Prestes. O livro conta a difícil vida da jovem no Brasil, que foi deportada à Alemanha por conta de seus ideais, onde foi torturada e executada.

Trata-se de uma das primeiras publicações do jornalista e escritor Fernando Morais, especialista em livros de grande reportagem, que sem dúvida contribuiu para melhor visualização de todo aquele cenário vivido pelos comunistas na década de 30, período presidido por Getúlio Vargas.

A obra foi republicada em 1994 e serviu de inspiração para o filme também chamado Olga, realizado 10 anos depois pelo diretor Jayme Monjardim e estrelado pela atriz Camila Morgado. O filme, baseado no livro, foi sucesso de bilheteria.

A crítica do livro você encontra em http://pt.shvoong.com/books/247264-olga.

Assista também o trailer do filme de Jayme Monjardim:

Rota 66: A HISTÓRIA DA POLÍCIA QUE MATA

Filed under: Grandes Obras — imprensainvestigativa @ 4:40

Por Amanda D. e Theo C.

O livro-reportagem foi lançado em 1992 por Caco Barcellos, uma referência do jornalismo investigativo.  O trabalho de investigação do repórter à polícia de São Paulo durante cinco anos tem como início o assassinato, sem explicação, de um grupo de jovens de classe média de São Paulo.

Ele mostra como é o sistema de extermínio da Rota – Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar – sediada no 1º Batalhão da Polícia Militar. O retrato de 55 mil crimes de morte por ano. Vítimas desarmadas, indefesas, homicídios com demonstrações de crueldade, além das torturas, alterações da cena do crime e a impunidade por parte dos colegas do IPM – Inquérito Policial Militar. A obra é uma narrativa que denuncia como o sistema incentiva esse tipo de ação.

 Em entrevista a um portal de notícias da internet, Caco Barcellos conta com detalhes as ameaças que sofreu por causa da publicação do “Rota 66”, sendo alvo de processos e pondo em risco a própria vida. No entanto, na época o jornalista não se ateve as ameaças e perseguições, e relatou os crimes cometidos pela polícia. Com o livro, o repórter ganhou o Prêmio Jabuti na categoria grande reportagem em 1993.

A entrevista você confere em: http://www.maiscascavel.com.br/news.php?news=2385.

Sem dúvida Caco Barcellos é uma meta a ser alcançada para muitos aspirantes do jornalismo. Mas será que todos os estudantes de comunicação estariam dispostos a correr risco de morte e se envolverem com jornalismo investigativo para uma ascensão na carreira? Ou ainda com o objetivo de dar voz a crimes silenciados? Em entrevista com futuros profissionais da área, a maioria acredita que a investigação jornalística é importante, mas perigosa, e por isso pensariam muito antes de se engajarem nesse formato.

Ontem e hoje

Brincar de polícia e bandido já foi a distração preferida de crianças em gerações que não voltam mais. A disputa era por quem seria o herói da história, normalmente a polícia, entidade que representava o bem contra o mal. Hoje os papéis se confundem e quem arriscava confiar de olhos fechados na Justiça já não tem tanta certeza se a ação policial está a favor da sociedade ou luta em prol de si mesma.

É nesse contexto que surge o livro Rota 66, uma leitura forte, revoltante e de certa forma esclarecedora, que narra com frieza as mortes ocorridas no período da pesquisa, as ações da Polícia Militar, a corrupção que existia, e ainda existe, dentro das organizações policiais.

Pelo menos na obra de Caco Barcellos, o papel da imprensa investigativa se revela como uma tentativa de trazer à luz aquilo que as autoridades não alcançaram, ou não tiveram o interesse de descortinar aos olhos da sociedade.

No entanto, há uma discussão de que o trabalho do jornalista pode prejudicar o trabalho da polícia na investigação dos crimes. Mas quando eles são cometidos pela própria Instituição, quem irá contar os fatos? Investigar os meandros de ocorrências que a sociedade não tem acesso às informações? Quem irá em busca de respostas para mortes, sem sentido ou justificativa, provocadas pela própria polícia?

Confira o “Fala Galera” feito com alunos de jornalismo respondendo a seguinte pergunta: O trabalho de investigação deve ser feito pela imprensa ou isso é um trabalho da polícia? Assista o vídeo:

Faça o dowload do livro Rota 66 através do link www.livrosgratis.net/download/355/rota-66-a-historia-da-policia-que-mata–caco-barcellos.html.

Escola Base

Filed under: Grandes Obras — imprensainvestigativa @ 4:14

Por Amanda D. e Theo C.

 

O caso “Escola Base” ocorreu em São Paulo – Brasil, no início de 1994. Seis pessoas foram supostamente acusadas, em vários veículos de comunicação, de estarem envolvidas no abuso sexual de alguns alunos dessa escola. Entre os suspeitos estavam: um casal de donos do colégio, Ichshiro Shimada e Maria Aparecida Shimada; dois profissionais desta instituição, Maurício e Paula Monteiro de Alvarenga e, um casal de pais de alunos, Saulo da Costa Nunes e Mara Cristina França.

Segundo as denúncias que foram repassadas à imprensa, vídeos poderiam comprovar tais crimes. No entanto, após inúmeros danos, de origem moral e física, nenhuma prova ou sequer indício, pôde comprovar a veracidade das informações.

Este se trata na verdade de um exemplo de como não se fazer jornalismo, com pouca apuração e divulgação inconsequente. Em contrapartida, o livro “Caso Escola Base – Os abusos da imprensa”, de Alex Ribeiro, elabora com profunda investigação tudo que ocorreu neste episódio, inclusive os erros jornalísticos.

Estratégias essenciais do jornalismo investigativo

Desde o início, Ribeiro traz questionamentos que conduzem o leitor a refletir sobre o tema central: a falta da apuração criteriosa por parte da imprensa. Durante todo o trabalho, Alex Ribeiro indica várias sugestões de caminhos investigativos que poderiam ter sido seguidos para evitar a grande tragédia criada pelos jornalistas.

O autor mescla com seu texto várias referências de jornais e, até discursos de âncoras para dar credibilidade ao trabalho de apuração do livro-reportagem. Ele colhe subsídios suficientes como justificativa dos fatos que compõem sua obra. Como repórter investigativo, revela-se imparcial na apuração, buscando todos os lados e citando as diferentes versões.

A “imprensa marrom” (termo utilizado pelo autor), como formadora da opinião pública, provocou verdadeira revolta social em torno das falácias divulgadas. É o que diz a Professora de jornalismo da Universidade Estácio de Sá, Ana Lúcia Morais. Para ela o livro retrata muito bem como as vítimas tiveram a reputação destruída em nome de um sensacionalismo mídiático que busca o furo de reportagem em detrimento da informação.

Assista o vídeo com Ana Lúcia Morais:

Links relacionados:

Link do livro a venda: http://www.livrariaresposta.com.br/v2/produto.php?id=162123

Reportagem sobre o caso PARTE 1: http://www.youtube.com/watch?v=033A9C13gGY

Reportagem sobre o caso PARTE 2: http://www.youtube.com/watch?v=6xrS5MXW0dY&feature=related

Indenização: http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI669907-EI306,00 Caso+Escola+Base+Globo+terra+de+pagar+R+mi.html

César Tralli mostra os fatos

Filed under: Jornalistas Brasileiros — imprensainvestigativa @ 3:46

Por Rafaella G. e Carla F.

Jornalista César Tralli

Essa semana vamos falar de mais um grande jornalista, César Tralli, conhecido por grandes coberturas. O jornalista da TV Globo, desde 1993, participou de grandes coberturas, como o atentado às torres gêmeas do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001, por exemplo. Mas o Tralli não começou na televisão. Antes, passou por vários veículos de comunicação e ainda muito cedo começou sua trajetória na televisão, aos 21 anos, no programa turístico independente “Flórida On Line”, transmitido pela TV Record. E para quem só se recorda do jornalista na TV Globo, é importante lembrar da sua contribuição no programa “Aqui Agora” no SBT, que já mostrava a “veia” investigativa desse profissional.

Como todo jornalista não trabalha sozinho, César Tralli conta com uma equipe que dá todo o suporte e um grande produtor, o Robinson Cerântula, que faz parte do Núcleo de Reportagens Investigativas em São Paulo. “Jornalismo investigativo é um jornalismo de bastidor, de apuração de assuntos que não estão a mostra. Hoje a gente tem grandes jornalistas que se especializaram nesse tipo de jornalismo. Mas eu acho que é um jornalismo mais de produção do que de trabalho de campo mesmo. Tem que ter muita fonte e a fonte é fantástica! E o Tralli, ele busca isso, ele conseguiu isso. Ele e o Cerântula, que é o produtor dele”, relata Max Andrade, editor da Intertv – Afiliada Rede Globo e professor universitário.

O “faro” jornalístico de César Tralli o conduziu a prêmios e grandes reportagens que viraram processos judiciais. Através da apuração, ele descobriu casos como as irregularidades nas obras do Metrô de São Paulo, por exemplo, que resultaram na queda do presidente da companhia e, descobriu a máfia do Sindicato dos Motoristas de Ônibus de São Paulo.

Na opinião de Max Andrade, “Uma investigação que até chegar ao fim vai resultar na mudança de um comportamento, no devolvimento de uma grana, no escândalo de CPI, aí qualquer risco é válido”.

Assista algumas reportagens de César Tralli:

Prêmios

– Prêmio Embratel de Jornalismo na categoria”Televisão”;

– Prêmio Comunique-se, como Melhor Repórter de Vídeo do País;

– Grande Prêmio Rede Globo de Televisão, nos casos da prisão de Law e da máfia dos motoristas  de ônibus de São  Paulo;

– Troféu Barbosa Lima Sobrinho, maior premiação concedida pelo Prêmio Imprensa Embratel, por uma série de reportagens sobre adulteração de combustíveis.

Vida e Carreira

Nasceu em São Paulo, capital, em 23 de dezembro de 1970. É formado em jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero. Foi correspondente em Londres, mais novo de toda a história, em 1995. Durante os cinco anos que passou na Inglaterra, fez reportagens em 30 países.

 

Busca pela segurança fez com que Jornalistas famosos criassem a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo

Filed under: Jornalistas Brasileiros — imprensainvestigativa @ 3:14

Por Rafaella G. e Carla F.

Jornalista e escritor Fernando Molica

“Sinônimo de jornalismo responsável, informações bem apuradas, com todos os lados ouvidos. Em resumo, reportagens que abordem de maneira extensiva um determinado assunto,” essa é a explicação do termo Jornalismo Investigativo, dada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, a Abraji. Um dos seus integrantes e diretor da Associação, Fernando Molica é um grande jornalista dessa área. Além de jornalista, é também escritor, autor dos livros “Notícias do Mirandão”, “O Ponto de Partida”, “Bandeira Negra Amor”, além do seu principal livro, o livro-reportagem “O Homem que morreu três vezes”, que recebeu menção honrosa do prêmio Vladimir Herzog.

Para muitos, jornalismo investigativo é uma categoria do jornalismo. Mas para Fernando Molica não: é uma forma de fazer jornalismo. “Primeiro a função do jornalismo é de informar, o que chamamos de investigativo é uma das maneiras de fazer jornalismo. Esse tipo de matéria exige maior grau de investigação do repórter e do próprio veículo. Você pode ficar um ou dois meses fora das pautas. Mas a função é fazer um bom Jornalismo. Um exemplo atual é a revelação que os veículos fizeram do Palocci e está há duas semanas na mídia, essa revelação parte da função de informar e com isso, disponibiliza assuntos para serem discutidos na sociedade,” afirma o jornalista.

Segundo Fernando Molica, a função da Associação é de uma comunidade que discute a prática jornalística e troca experiências, após a morte do jornalista Tim Lopes. “Ela nasceu da tragédia, do assassinato do Tim Lopes. Um grupo de Jornalistas se uniu para formar esse movimento para discutir a segurança no exercício da profissão, disseminar técnicas de segurança e de apuração mais atuais, o Brasil está um pouco atrasado em relação a outros países do mundo. Buscávamos trocar experiências, informações, para o aprimoramento das técnicas. A Abraji faz Congressos, cursos para disseminar informação,” explica o escritor e jornalista.

Veja o vídeo de Fernando Molica no Programa Jogo de Ideias:

Marco no Jornalismo

Em 2002, o jornalista Tim Lopes foi torturado até a morte, no Complexo do Alemão, por traficantes, quando foi fazer uma matéria investigativa sobre um baile funk na favela da Vila Cruzeiro. Depois da morte de Tim Lopes, as redações dos jornais e da TV passaram a se preocupar mais com a segurança dos jornalistas. Molica lembra das mudanças na época do assassinato.“Houve um grande impacto em todos nós. Primeiro porque ele era muito querido. Trabalhei com ele na Folha e na TV Globo, era muito admirado. Segundo, porque quebrou o paradigma que jornalista é intocável. O que nós fazíamos para conseguir matérias nas favelas era ir ao morro direto na Associação de Moradores para pedir autorização para fazer alguma matéria lá, mas na verdade a Associação funcionava como intermediária, ela por sua vez, pedia autorização para os traficantes. Tomamos a consciência que estávamos legitimando o tráfico. Gerou outras consequências, hoje fazer pauta de favela só se ela tiver UPP, porque jornalista virou alvo de bandido. Na semana passada, em Manguinhos, os traficantes jogaram bomba nos jornalistas. Nas redações, dependendo da matéria, você sai de carro blindado e colete a prova de balas. Na rede Globo quando a matéria é para ser gravada de madrugada o repórter só sai de carro blindado,” disse Fernando.

Acesse o site do jornalista Fernando Molica e conheça a sua trajetória, os seus livros, o blog e muito mais: www.fernandomolica.com.br.

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